Beatriz olhou para a tela do celular, ficou em silêncio por alguns segundos, mas por fim atendeu.
— Minha neta, você está muito ocupada ultimamente? — A voz da senhora era suave, carregada daquela preocupação de mais velhos.
Beatriz não imaginava que a avó usaria o celular dele para ligar.
Sua voz saiu baixa: — Tudo bem, não estou tão ocupada assim.
— Antes, você vinha sempre comer no casarão velho com a avó. Ultimamente nem a sua sombra eu vejo. Brigou com o Arthur? No passeio de primavera, eu vi que vocês não estavam próximos.
Beatriz não soube o que responder na hora.
A senhora ainda esperava de coração que os dois vivessem bem e continuava tentando arrumar meios de juntá-los. Mas, entre ela e Arthur, tudo já havia acabado por completo; não havia a menor chance.
Vendo que ela não falava, a senhora não forçou e apenas disse em tom suave: — Depois do trabalho, vem jantar com a avó, reservei a sala naquele lugar de sempre.
Depois de sair do trabalho, Beatriz guardou as coisas rápido e dirigiu até o restaurante.
A senhora já estava esperando na sala reservada. Assim que a viu entrar, acenou logo com um sorriso: — Beatriz, vem, senta aqui perto da avó.
Beatriz se sentou, conforme pedido. A senhora empurrou o cardápio para frente dela: — Dá uma olhada, pede o que você gosta.
Ela pegou o cardápio e, com os olhos voltados para baixo, leu aos poucos.
Naquele dia, vestia uma camisa branca simples, com as mangas dobradas até os cotovelos de qualquer jeito, e o cabelo longo preso, deixando à mostra o pescoço magro.
O rosto inteiro estava limpo e suave, mas claramente mais fino, e o queixo pontudo sobressaía.
A senhora ficou olhando para ela por um tempo e, sem querer, franziu a testa: — Como você emagreceu tanto de novo? Não está comendo direito?
Beatriz deu um sorriso leve: — Está quente, não ando com muito apetite.
— Nos verões passados você nunca emagreceu desse jeito. — A senhora suspirou, com um olhar de quem tentava descobrir algo: — Será que o Arthur não está te dando atenção, e você está sofrendo?
Beatriz fechou o cardápio, entregou ao garçom e balançou a cabeça de leve: — Não, ele não tem nada a ver com isso.
Não era uma questão de estar bem ou mal.
Do início ao fim, Arthur sempre foi assim com ela: frio, distante, como se não a visse.
Antes, era ela quem não entendia e insistia em agarrar aquela esperança inútil. Agora, já tinha desistido por completo e, no fim das contas, se sentia aliviada.
Beatriz sorriu frio por dentro.
Ele ainda devia achar que ela estava se fazendo de difícil, emagrecendo de propósito só para ele ver.
Arthur pegou o tablet, folheou o cardápio rapidamente, olhou para ela e soltou: — Você não gostava daquele camarão, por que não pediu?
Na frente da avó, ele encenou o papel de marido carinhoso.
Beatriz apenas achou a situação ridícula.
Ela era muito alérgica a camarão.
O rosto da avó fechou na mesma hora: — A Beatriz é alérgica a camarão desde pequena, você não sabia?
— Tantos anos de casados, e que tipo de marido você é?
Arthur parou no mesmo instante, olhou para Beatriz com um tom de dúvida que soava natural: — Você não me contou.
Beatriz puxou os lábios, com um sorriso frio.

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