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A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão romance Capítulo 129

Falou sobre a cultura local, depois passou para intercâmbio acadêmico e as notícias da indústria, tudo num tom tagarela e leve, com uma expressão radiante.

Sempre que falava das coisas do exterior, os olhos dela brilhavam. Tinha assuntos sem fim em comum com Arthur, conversando em total sintonia. Eles pareciam muito mais próximos do que um casal de verdade.

Arthur respondia de vez em quando, em voz baixa e tom sereno. Chegava até a dar um leve sorriso quando Helena contava algo engraçado.

Para Beatriz, essa pequena mudança de expressão doía demais ao ver.

Casados há tantos anos e ele nunca demonstrou tanta paciência com ela. Nunca a ouviu falar sobre trabalho ou sonhos com seriedade, nem riu uma só vez por causa dela.

Mas com Helena, tinha paciência e interesse infinitos.

Beatriz encostou-se no vidro de trás e viu a paisagem passando rapidamente pela janela, em completo silêncio.

Não interrompeu, não os olhou, sem nenhuma reação emocional.

Como se fosse uma mera estranha pegando carona, sem qualquer ligação com o "casal perfeito" ali na frente.

O carro seguiu até entrar no Solar dos Valente e estacionou no pátio.

No pátio da mansão havia muitas flores e plantas, em pleno clima de primavera, e a velha senhora da família Valente já aguardava na porta.

Ao ver o carro parando, abriu logo um sorriso bondoso e focou o olhar direto no banco de trás, exatamente em Beatriz.

Antes mesmo de Beatriz sair, a senhora se adiantou e perguntou com preocupação: — Minha filha, você chegou.

— Ouvi dizer que você foi ao hospital há uns dias. Está tudo bem com a sua saúde?

Uma frase de carinho fez o coração de Beatriz se aquecer um pouco.

Em toda a família Valente, apenas aquela senhora ainda se importava genuinamente em perguntar sobre o seu estado.

Mas antes que essa sensação de calor durasse mais um pouco, ela mudou de assunto direto para o que Beatriz menos queria escutar.

O que valia era apenas se ela seria capaz de dar à luz uma criança dos Valente.

A mão de Beatriz, encostada no corpo, se apertou devagar até os dedos ficarem brancos.

As pontadas da quimioterapia ainda faziam estrago, e o frio no peito se espalhava por todo o corpo.

Ela olhou para a avó, tão carinhosa e, ao mesmo tempo, tão mundana. Depois, olhou para o lado.

Lá estava Helena, colada em Arthur com uma expressão de timidez e felicidade. Sentiu que o mundo inteiro estava tomado por uma bizarra falta de ar.

No fim das contas, ela nunca passou de uma incubadora para essa família?

E agora, ela já não podia engravidar.

Tinha perdido para sempre a chance de ser mãe.

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