Lucy
“Como isso é possível?!”
Essa pergunta permaneceu nadando na superfície repleta de torpor de sua mente, enquanto Vitório falava. Engravidar já estando grávida! Só podia acontecer com ela.
Quando a enfermeira levou seu filho faminto até a cafeteria, ela fuzilou o marido com os olhos.
- Isso é culpa sua! Você é algum tipo de macho com testosterona alterada, que não nem me deixou descansar daquela vez!
Com o sorriso mais safado e presunçoso no rosto, ele se inclinou sobre ela, roçando seus lábios tentadores na boca de Lucila, que facilmente se arrepiou.
- Pode me culpar o quanto quiser, princesa. Mas da próxima vez que quiser “brincar”, não se surpreenda com o resultado. – a barba grisalha, perfeitamente aparada se esfregou suavemente no pescoço de Lucy, provocando uma verdadeira ebulição em seu sistema. – E me disseram que a sua alta fertilidade contribuiu para esse fantástico resultado... – Vitório trilhou beijos molhados até sua orelha, a sugando suavemente, transformando Lucy em uma poça derretida de hormônios. – A gente pode tentar essa proeza de novo da próxima vez.
- Se afaste de mim! Você é um homem totalmente perverso. Ainda não dei a luz a essas crianças, e você já está falando de me engravidar de novo! – Ela ralhou, ofegante, o empurrando no peito.
Vitório a abraçou forte, beijando seu rosto, suas mãos, seus cabelos, e sua boca. Lucy transbordou em amor e emoção. Dois bebês....
Dois frutos desse amor imensurável...
As lágrimas vieram antes mesmo que Lucy pudesse contê-las. Uma emoção avassaladora a tomou de assalto, como se o próprio universo tivesse se curvado para lhe oferecer um presente sagrado. Dois bebês… duas pequenas vidas crescendo dentro dela, formadas do amor incondicional que compartilhava com a única pessoa que a viu e a amou de verdade.
O peito de Lucy se expandiu num suspiro tremido, e ela o abraçou com força, sentindo o calor do corpo dele, o pulsar firme e poderoso do coração dele junto ao seu.
- Dois… nós vamos ter dois! - Murmurou com a voz embargada, rindo entre soluços e beijos que se misturavam a lágrimas.
Lucy o olhou por um longo instante, como se quisesse guardar aquele momento na alma para sempre. O brilho das lágrimas ainda tremulava em seus olhos, quando ela sussurrou, entre risos e soluços:
— Obrigada, meu amor. Por ser o pai dos meus filhos... por ser o meu marido, o meu companheiro... por nunca soltar a minha mão, mesmo quando tudo desabou. — A voz falhou, mas o olhar dizia o resto. — Você é o maior presente que a vida poderia me dar.
Vitório a puxou para um beijo longo e profundo, um beijo que selava promessas antigas e juramentos silenciosos. Os lábios dele roçaram os dela, e entre o toque e o suspiro, ele murmurou contra sua boca, com um amor que transbordava de cada sílaba:
— E você, Lucila Darius... sempre será o amor da minha vida.
A mão dele permaneceu sobre o ventre dela, sentindo o milagre pulsar entre os dois.
E naquele instante, o mundo pareceu caber inteiramente dentro daquele abraço, o passado, o presente e todo o futuro que os aguardava, embalado por dois corações pequeninos que batiam dentro dela, como a mais bela sinfonia do amor.

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