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A Esposa Indesejada e Seus Gêmeos Secretos romance Capítulo 464

Ponto de Vista de Mia

— E para os adultos? — A garçonete me olha.

— Só uma água.

— Você não vai comer? — pergunta Kyle.

— Não estou com fome.

Ele pede para si mesmo. Depois muda de ideia. Acrescenta um segundo pedido de frango. — Caso alguém mude de ideia sobre estar com fome.

A garçonete anota. Se afasta. Os tênis dela chiam levemente no piso de linóleo. Aquele barulho que sapato velho faz quando a sola de borracha está se gastando.

As crianças estão colorindo nos cardápios de papel com os giz de cera que o restaurante oferece. Os giz estão quebrados. Curtos. O vermelho é só um toquinho. Alexander usa assim mesmo. Desenhando o que afirma ser a nossa casa nova, mas parece mais um retângulo com janelas.

— A casa tem nome? — pergunta Madison.

— Nome? — Olho para ela. — Casas não têm nome, meu amor.

— Algumas têm. Casas grandes. Tipo na TV.

— Essa não é esse tipo de casa.

— Mas a gente podia dar um nome assim mesmo. — Ela está muito séria sobre isso. — A gente podia chamar de alguma coisa. De algo especial.

— Tipo o quê?

Ela pensa por um momento. O giz parado no ar sobre o papel. — Casa Feliz.

Alexander faz um som de nojo. — Que nome horroroso.

— Não é horroroso…

— É sim! Parece lugar de bebê!

— Meninos. — Uso minha voz baixa. Minha voz séria. — Sejam gentis.

Alexander suspira dramaticamente. Volta para o desenho.

O lábio inferior de Madison treme levemente.

A mão de Kyle sobe. Gentil. Toca o cabelo dela.

— Eu acho Casa Feliz um bom nome — diz ele baixinho.

Ela olha para ele. — Sério?

— Sério. Casa tem que ser feliz. Principalmente a nossa casa.

Ela sorri.

A comida chega mais rápido do que o esperado. A garçonete carrega três pratos num braço só. Outro garçom traz o resto. Jovem. Uns vinte anos. Manga de tatuagem no braço esquerdo. Dragões, flores e padrões geométricos todos misturados.

Pratos e cestinhas cobrem a mesa. Vapor subindo. O cheiro intenso e avassalador. Aquele cheiro característico do Tony's — gordura, pimenta caiena e algo adocicado do mel que colocam na casquinha.

Alexander ataca a comida imediatamente. Arranca um pedaço de frango antes de esfriar direito. Faz um som de dor. Queima a língua. Os olhos marejam.

— Cuidado — digo automaticamente. — Espera esfriar.

Ele acena com a cabeça. Boca ainda cheia. Continua comendo assim mesmo.

Ethan come metodicamente. Uma batatinha de cada vez. Mergulhando cada uma no ketchup.

Kyle empurra a cestinha extra de frango na minha direção.

— Não estou com fome — digo de novo.

— Um pedaço. Só isso que estou pedindo.

Pego um pedaço.

É bom. Muito bom. A casquinha está crocante do jeito que deveria ser. Sem encharcar. Sem queimar. Do jeito certo. O frango por dentro é suculento. Quente. O tempero é perfeito — aquela mistura do Tony's que provavelmente é só páprica, pimenta caiena e alho em pó, mas tem gosto de receita secreta de avó.

Como o pedaço inteiro.

Kyle não fala nada. Só sorri levemente e volta para a própria comida.

As crianças destroem as refeições. Alexander come seis tiras de frango. Ethan termina as batatas e a maior parte do coleslaw. Madison come quatro nuggets e metade das batatas. O que é bastante bom. Uma refeição completa pelos padrões dela.

Estão cobertos de gordura. Os dedos brilhando. Os rostos sujos. Alexander tem mostarda com mel no queixo. Madison tem ketchup na bochecha. Até Ethan tem uma mancha de molho de coleslaw no colarinho.

— Guardanapos — digo. Empurro o dispenser na direção deles.

Alexander pega um guardanapo. Limpa as mãos. Não chega nem perto do rosto.

Me inclino. Pego um guardanapo. Me debruço sobre a mesa. Limpo o queixo dele.

— Mãe — ele reclama. Mas fica parado. Deixa eu limpar o rosto dele.

A garçonete volta. Começa a recolher os pratos.

— Alguém quer sobremesa? — pergunta ela. — Tem torta. De maçã, de nozes, de chocolate.

— SIM! — A mão de Alexander dispara como se estivesse em sala de aula.

— Alexander, você acabou de comer uma tonelada de frango…

— Mas tem o estômago de sobremesa! Esse é separado! O estômago de sobremesa é diferente!

A boca de Kyle se contorce. — Acho que pode até ter alguma base científica para…

— Kyle. Não encoraje.

— Só estou dizendo que o sistema digestivo humano é complexo…

— KYLE.

Ele sorri de verdade. Sorriso aberto. — O quê? Estou sendo educativo.

As crianças acompanham essa troca como se fosse uma partida de tênis. As cabeças indo de mim para Kyle e voltando.

A garra desce. Agarra o ar. Sobe vazia.

Alexander geme. Dramaticamente. Como se o mundo estivesse acabando.

— Tá vendo? — digo a Kyle. — Dinheiro jogado fora.

— Estão se divertindo.

As crianças estão tentando de novo. Kyle deve ter dado fichas também. Estão colocando uma por uma na máquina. Revezando.

— Preciso ir ao banheiro — digo. Me levantando. — Fica de olho neles.

— Obviamente.

O banheiro fica num corredor curto. Passando pela máquina de garra. As crianças não percebem quando passo. Concentradas demais tentando ganhar o elefante rosa.

Lá dentro, o banheiro é o que se esperaria. Pequeno. Duas cabines. Pia com espelho levemente embaçado. Dispenser de papel toalha vazio. Secador de mãos que provavelmente não funciona.

Uso o banheiro. Lavo as mãos. Me olho no espelho torto. Estou cansada. Mas também…

Estou feliz.

Que estranho. Não tinha percebido antes. Mas agora, olhando para o meu reflexo, consigo ver. Algo mais leve na expressão.

Jogo água fria no rosto. Seco com as toalhas de papel marrom e áspero do dispenser reserva embaixo da pia.

Quando empurro a porta do banheiro, consigo ouvir as crianças ainda na máquina de garra. As vozes ecoando pelo corredor.

Mas tem outra voz também. Feminina. Jovem. Vindo perto da entrada do restaurante.

Volto em direção ao nosso banco. O corredor se abre. Consigo ver o salão agora.

Kyle está perto do caixa. Deve ter ido pagar enquanto eu estava no banheiro. Ele está com a carteira aberta. O cartão de crédito na mão.

E tem uma moça falando com ele.

É jovem. Uns vinte e três, vinte e quatro anos. Cabelo escuro comprido preso num rabo de cavalo alto. Com o uniforme do Tony's — calça preta, polo vermelha — mas de algum jeito ela tornou fofo. A camiseta está justa. A gola levemente dobrada para fora. Ela tem argolas nas orelhas. Várias. E está sorrindo para Kyle como se ele fosse a pessoa mais interessante que ela já viu.

Paro de andar. Só observo por um momento.

Ela está apoiada no balcão. O quadril inclinado. A linguagem corporal aberta. Sedutora. Fala algo que não consigo ouvir daqui.

Kyle balança a cabeça. Fala algo de volta.

Ela ri. Toca o braço dele. Um toque leve. Os dedos no antebraço dele. Rápido, mas deliberado.

Algo quente acende no meu peito. Imediato. Visceral.

Começo a andar de novo. Mais rápida agora.

Conforme me aproximo, consigo ouvir a conversa.

— Acho muito legal que você esteja aqui com seus filhos — a moça está dizendo. A voz tem aquele tom específico. O que as mulheres usam quando estão interessadas. — Pai solteiro? Isso é muito atraente.

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