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A Esposa Indesejada e Seus Gêmeos Secretos romance Capítulo 463

Ponto de Vista de Mia

— Três — diz Kyle.

A mão dele no meu quadril aperta. Consigo sentir cada dedo através do jeans. A pressão é específica. Deliberada.

Ele levanta. Eu empurro. Nos movemos juntos de um jeito que parece ensaiado, mesmo não sendo. Nunca foi.

Estou de pé. Balançando levemente porque as folhas embaixo de mim se mexem, minhas meias estão completamente encharcadas e minhas pernas têm aquele tremor de adrenalina, frio, ou qualquer outra coisa.

Kyle também se levanta. Sacode as folhas do suéter. Elas grudam no cashmere. Estática. Ele tem que tirá-las uma por uma.

As crianças pararam de cantar. Estão nos observando com aquela atenção concentrada que as crianças têm quando os adultos fazem algo interessante.

— Foi quase — anuncia Alexander. — Vocês quase se beijaram.

— A gente não quase se beijou — digo. Minha voz sai afiada demais. — A gente caiu. Isso é diferente.

— Mas vocês estavam bem pertinho. — Ele levanta as mãos, fazendo um espaço minúsculo entre o polegar e o indicador. — Assim pertinho.

— Alexander…

— Eu vi! Os rostos de vocês estavam…

— A gente precisa ir — interrompo. Olho para o meu pulso mesmo sem usar relógio. Faz anos que não uso. — Está ficando tarde.

— São três horas — diz Ethan. Porque claro que ele sabe o horário exato sem precisar verificar. — Não é tarde.

— Tarde o suficiente.

Kyle ainda está tirando folhas do suéter. Uma está presa no cabelo dele. Bem na têmpora. Consigo ver daqui. Uma folha de carvalho marrom. Completamente intacta.

Eu deveria falar. Deveria apontar para que ele pudesse tirá-la.

Não falo.

— A gente pode voltar? — pergunta Madison. Ela está parada na beira do que antes era a pilha de folhas deles. Agora são só folhas espalhadas. Destruídas pela nossa queda.

— Claro, meu amor. A gente vai voltar muitas vezes.

— Amanhã?

— Talvez não amanhã. Mas em breve.

— Em breve quando?

— Madison. — Suavizo a voz. — Em breve. Prometo.

Ela assente. Aceita. Vai buscar os sapatos no deck onde os tinha deixado.

Os meninos seguem. Alexander ainda está falando sobre como estávamos perto de nos beijar. Usando as mãos para demonstrar a distância. Fazendo sons exagerados de beijo.

Quero que o chão se abra e me engula.

Kyle aparece ao meu lado. Perto, mas sem me tocar.

— Você tem folhas no cabelo — diz ele baixinho.

— Você também.

A mão dele sobe. Automático. Toca o cabelo. Erra a folha completamente.

— Outro lado — digo.

A mão muda de lado. Encontra a folha. Tira. Ele a olha por um momento. Depois deixa cair.

Voltamos para o deck juntos. Sem falar. Apenas andando. As meias encharcadas fazendo um barulho suave de tchap tchap.

As crianças já estão no carro. Esperando. Gas também está lá. Não sei quando ela saiu. Não me lembro de tê-la visto no quintal.

— As chaves? — pergunta Kyle.

Passo as mãos nos bolsos. Nada.

— Estão lá dentro.

Volto pela porta de correr. Minhas pegadas deixam marcas molhadas no chão. Formas ovais pequenas. Rastro de onde estive.

As chaves estão no balcão da cozinha onde as deixei. Bem ao lado daquelas pastas. As que as crianças encontraram. As que Kyle tentou olhar.

Pego as chaves rápido. Não olho para as pastas. Não penso no que tem dentro delas.

Lá fora, Kyle já colocou as crianças no carro. Os três com cinto. Gas no banco de trás com a cabeça no colo de Madison.

— Shotgun — digo. Forço leveza na voz.

— Você sempre pega o banco da frente — observa Alexander. — Você é adulta.

— Exatamente. Privilégios de adulto.

Entro no banco do passageiro. O couro está frio. Meu jeans molhado faz contato e sinto a diferença de temperatura na hora. Desconfortável. Como sentar no gelo.

Kyle entra. Coloca a chave na ignição. O motor liga com aquele ronco suave que o carro dele faz. Engenharia alemã cara.

— Para casa? — ele pergunta.

Antes que eu possa responder, Alexander se inclina para frente até onde o cinto permite.

— A gente pode comer alguma coisa?

— Meninos — interrompo. — Tem comida em casa.

— Mas a gente quer comida especial — diz Alexander. — Hoje é especial. A gente viu a casa nova! Dias especiais precisam de comida especial!

Ele não está errado. Hoje foi especial. Diferente.

— E quando Alexander tiver dor de barriga de tanto gorduroso…

— Por minha conta.

— E quando…

— EU AMO O PAPAI! — o grito de Alexander corta tudo.

As palavras explodem do banco de trás. Súbitas. Altas. Completamente sinceras.

Me viro no banco. Alexander está com os braços abertos. Ocupando todo o espaço que o corpinho dele consegue alcançar.

— Eu amo o Papai DEMAIS! O Papai pega frango pra gente! O Papai é O MELHOR!

Meu peito faz algo complicado. Aperta e afrouxa ao mesmo tempo.

— Eu também — diz Madison baixinho. Quase tímida. — Eu também amo o Papai.

Ethan não diz nada. Mas está acenando com a cabeça. Movimentos pequenos. Concordância sem drama.

Alexander faz um som exagerado de beijo. Lábios franzidos. Olhos fechados com força. Repete o som três vezes seguidas.

— O que você está fazendo? — pergunto.

Os olhos dele se abrem de repente. — Mandando beijos pro Papai! Olha! — Ele leva os dedos aos lábios. Faz mais um som de beijo. Depois joga a mão para frente como se estivesse lançando algo.

— É beijo voador — explica Ethan desnecessariamente.

— Eu sei o que é.

Alexander faz de novo. — Isso sou eu beijando o Papai! Porque eu amo beijar o Papai! — Outro smack exagerado. Outro lançamento. — Muah! Muah! MUAH!

Olho para Kyle. As mãos dele ainda estão no volante. Dez e dois. Posição perfeita. Mas os nós dos dedos estão brancos. A pressão do aperto forte demais.

O maxilar dele está trabalhando. Aquele músculo saltando. A garganta se move. Engole. Uma vez. Duas.

Ele não está me olhando. Não está olhando direito para a estrada também. Os olhos dele ficam indo e vindo para o espelho retrovisor. Para as crianças atrás.

— Papai! — Alexander exige. — Você recebeu meus beijos?

A voz de Kyle quando sai é áspera. Ralada por dentro.

— Recebi.

— Todos os três?

— Todos os três.

— Ótimo! Porque eu mandei com AMOR! Amor com A maiúsculo!

Ele faz uma pausa para efeito dramático. — Eu provavelmente amo o Papai MAIS do que a Mamãe ama! Porque eu dou muito MAIS beijos pra ele! Tipo — Conta nos dedos. — Cem beijos! Talvez MIL!

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