Ponto de Vista de Mia
O empreiteiro tinha deixado a porta da frente destrancada para nós. A maçaneta gira suavemente na minha mão — ferragem nova, níquel escovado, o tipo que não mostra impressões digitais. Eu a havia escolhido especificamente por isso. Três crianças e um cachorro significa impressões digitais em tudo.
A porta abre e o cheiro me atinge primeiro.
Tinta fresca. Madeira nova. Aquele aroma limpo particular de um espaço que ainda não foi habitado. Sem cheiros de cozinha, sem amaciante de roupa, sem poeira acumulada. Só potencial. Só esperando.
Alexander passa por mim antes que eu consiga detê-lo.
— UAU! — A voz ecoa no espaço vazio. O som rebate nas paredes, no teto alto, nos pisos de madeira que ainda não foram riscados. — É ENORME!
Já está correndo. Os tênis rangem contra o chão — isso é uma coisa que não considerei. Pisos novos e sapatos de crianças. O range é quase musical.
— Alexander! — Chamo depois dele. — Vai devagar!
Ele não vai devagar. Claro que não vai.
Ethan entra mais cuidadosamente. A cabeça inclina para trás, olhando para o teto. Observo os olhos dele rastrear as vigas — expostas, abeto-de-douglas, a grã visível mesmo daqui. Fiquei semanas em dúvida sobre aquelas vigas. Se as pintava de branco ou deixava naturais. O empreiteiro achava que eu estava ficando louca de gastar tanto tempo com vigas de teto.
— O suporte estrutural está lindo — Ethan diz quietamente.
A mão de Madison encontra a minha. Os dedos dela são pequenos e levemente úmidos. Nervosos. Ela fica do meu lado enquanto cruzamos a soleira juntas.
Kyle está atrás de nós. Consigo sentir a presença dele sem olhar. Aquela pressão particular. Ele não entra correndo como Alexander nem observa com cuidado como Ethan. Só espera.
— Pode entrar — digo a ele sem me virar.
Os passos dele no chão. Mais pesados que os das crianças. Mais deliberados.
A entrada se abre diretamente para o espaço principal de estar. Conceito aberto. Isso era inegociável para mim. Sem paredes onde não precisavam estar. Sem separação entre cozinha e sala. Queria poder cozinhar e ainda ver as crianças. Ainda fazer parte do que quer que estivessem fazendo.
As janelas são o que fazem o espaço.
Kyle se moveu para a cozinha. Observo-o de través do espaço aberto. Está passando a mão pela bancada. Quartzo branco. Fiquei meses em dúvida entre mármore e quartzo. O mármore era mais bonito. O quartzo era mais prático. O prático ganhou.
Os dedos dele traçam a borda onde a bancada encontra o azulejo do fundo. Pequenos azulejos cinzas em padrão espinha de peixe. Eu mesma havia disposto o padrão, passando três horas com o empreiteiro garantindo que cada azulejo estava perfeitamente alinhado.
— As juntas de rejunte estão precisas — Kyle diz.
Ele não está me olhando quando diz isso. Só olhando para os azulejos. A voz é neutra. Observacional.
— Eu mesma fiz o padrão — me ouço dizer.
— Dá pra perceber.
A risada de Kyle veio do nada, o sorriso parecendo mais uma provocação.
O que isso quer dizer?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Indesejada e Seus Gêmeos Secretos
Excelente livro, uma delicia de ler e o mlhor o livro esta completo...
Não quero acreditar que Mia vai voltar com Kyle! E Thomas? Thomas e Sophie? E a relação tranquila que Mia desenvolveu com Thomas quando Kyle simplesmente sumiu?...
Desculpe, mas cadê os capítulos do 266 até 279? Simplesmente não existem?...
Ela tem e que sofre mas nunca vi mulher mas burra...