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A Esposa Indesejada e Seus Gêmeos Secretos romance Capítulo 457

Mia

Preparar três crianças para sair para qualquer lugar é sempre uma produção, mas hoje parece especialmente caótico, como se o universo estivesse conspirando para nos atrasar, para me dar mais tempo de reconsiderar essa decisão, de dar um passo atrás e mandar Kyle embora e manter minha casa nova separada dessa bagunça complicada do nosso quase-relacionamento.

Alexander está de cabeça para baixo na cama quando abro a porta, os pés plantados na parede, o rosto vermelho com o fluxo de sangue, a camiseta levantada expondo a barriga pálida.

— Por que você está de cabeça para baixo? — eu pergunto, embora saiba que é melhor não esperar uma resposta razoável.

— Praticando ser um morcego — ele anuncia, como se isso fosse a coisa mais lógica do mundo. A voz soa congestionada, espessa, todo o sangue descendo para a cabeça fazendo-o parecer que está debaixo d'água.

— Por que você precisa praticar ser um morcego?

— Caso eu precise ser um morcego algum dia. O Ethan disse que é bom ter habilidades diversas. Estou diversificando.

Olho para Ethan, que está sentado na própria cama com um livro, completamente ignorando as acrobacias do irmão. — Você disse para ele diversificar fingindo ser um morcego?

— Eu disse que é bom aprender coisas novas — Ethan diz sem levantar os olhos do livro. — Não especifiquei imitação de morcego.

— De pé — digo a Alexander com firmeza. — Agora. Saímos em quinze minutos.

— Mas estou no meio de...

— Alexander. Agora.

Ele se vira para cima com mais drama do que estritamente necessário, caindo no colchão com uma quicada que faz a estrutura da cama ranger. — Onde vamos?

— É surpresa.

Todo o rosto dele se contorce em desprazer teatral. — Não gosto de surpresas.

— Desde quando?

— Desde agora. Desde esse exato momento. Surpresas são... são suspeitas. É por isso que parecem parecidas. Surpresa. Suspeita. É tipo um aviso.

— Não é assim que palavras funcionam — Ethan diz, ainda sem levantar os olhos do livro.

— Poderia ser assim que palavras funcionam.

Alexander já está na metade do caminho até a porta, os sapatos nos pés errados — consigo ver daqui, vejo pelo jeito que o sapato esquerdo curva para fora quando deveria curvar para dentro.

O trajeto até a Rua Elm leva vinte e três minutos, e Alexander fala pelo menos vinte deles, um monólogo de fluxo de consciência contínuo sobre morcegos e aerodinâmica e se é possível treinar um cachorro para voar usando um arnês especial e motor, a voz enchendo o carro com aquele tipo de absurdo inocente que torna impossível pensar em qualquer coisa séria ou triste ou complicada.

As árvores estão quase sem folhas agora, novembro as tendo despido para a própria arquitetura essencial.

Entro na entrada de carro e coloco o carro no ponto morto, e por um momento ninguém se move, ninguém fala, só ficamos sentados ali olhando para ela — a casa que projetei e construí.

Não tem nada a ver com a casa que ficava aqui antes. Aquela casa era de tijolo escuro e janelas pequenas e uma planta que parecia apertada e escura mesmo nos dias de sol, cômodos que pareciam projetados para esconder coisas, para guardar segredos, para fazer você se sentir menor do que era. Essa casa é o oposto de tudo aquilo — pedra cinza clara que parece brilhar na luz da tarde, janelas que contornam as esquinas e se estendem do chão ao teto, linhas limpas e espaços abertos e uma sensação de possibilidade em cada escolha deliberada que fiz.

— Uau — Alexander suspira, e é a primeira vez que ouço ele em reverência.

A casa tem uma varanda ampla na frente, funda o suficiente para móveis, para noites de verão, para o tipo de reunião informal que nunca tive na infância mas sempre imaginei outras famílias vivendo. O telhado é inclinado mas não íngreme, telhas carvão que vão envelhecer lindamente, e o paisagismo ainda está esparso.

— É nossa? — A voz de Alexander ficou pequena, incerta, como se tivesse medo de acreditar que algo assim bom pudesse realmente nos pertencer.

— Ainda não — digo a ele, me virando no assento para olhá-lo direito. — Mas em breve. Mais algumas semanas e podemos nos mudar.

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