Tiago virou o copo de uma vez e completou com frieza:
— Cortejar a filha do Renan debaixo do nariz dele... você vai sofrer.
— Se eu conseguir conquistá-la, esse sofrimento não é nada. — Mark deu de ombros, indiferente.
Tiago não lhe deu mais atenção. Levantou-se e pegou o casaco que estava no encosto da cadeira:
— Vamos embora.
Mark olhou para o relógio de pulso e lamentou:
— São só nove e pouco, nem esquentei o lugar ainda.
— Casa. — Tiago foi sucinto, sem parar o passo.
Enrique ia se levantar para ir junto, mas foi agarrado pelo colarinho por Mark.
— Segundinho, recém-casados, entendo a pressa de voltar. — Mark segurou Enrique, não o deixando ir. — Fica aqui comigo mais um pouco.
Enrique olhou de lado para ele e, de repente, ficou alerta:
— E daí se eu ficar até o amanhecer? Não vai me dizer que quer pedir dinheiro emprestado de novo? Já vou avisando, não tenho um centavo.
— Tenho dinheiro. — Mark bateu no bolso, cheio de razão. — O dinheiro para namorar eu já juntei faz tempo.
Uma parte ele economizou aos poucos, e a outra parte "pegou emprestado" de Óscar.
Ele se aproximou de Enrique, baixou a voz e perguntou com toda sinceridade:
— Falando sério, como você conseguiu conquistar a Diretora Soares no final das contas?
Enrique soltou três palavras, curto e grosso:
— Cara de pau.
— Só isso? — Mark estava cheio de dúvidas.
Enrique confirmou com um "hum" decidido.
Segunda-feira.
Clara sentou-se ao lado de Renan e, ao avistar Mark presente na reunião, um traço de surpresa passou rapidamente por seus olhos.
Ela virou o rosto, baixou a voz e inclinou-se para André:
— Sr. André, o contrato dele não tinha acabado?
André seguiu o olhar dela até Renan, na cabeceira da mesa, e explicou em voz baixa:
— Seu pai valoriza o talento dele, pediu especificamente para eu renovar o contrato.
Clara assentiu, compreendendo, e soltou um leve "ah", mas seu olhar involuntariamente flutuou na direção de Mark.
Curiosamente, Mark estava excepcionalmente comportado na reunião de hoje.
Aqueles olhos que costumavam lançar olhares furtivos para Clara agora fitavam a tela de projeção com toda a disciplina, controlando até a visão periférica com cuidado, com medo de que Renan percebesse qualquer indício.
Assim que a reunião terminou, Mark entrou no carro e digitou rapidamente uma mensagem para Clara: "Seu brinco caiu no meu carro."
— O Diretor Simões deve estar bem ocioso para vir trazer isso pessoalmente.
— Coisa pequena? — Mark ergueu as sobrancelhas fingindo surpresa e aproveitou para se inclinar, aproximando o rosto. Seu hálito quente roçou a orelha dela. — Alguma coisa da Diretora Clara é coisa pequena?
Sua voz estava muito baixa, carregada de um afeto deliberado.
A ponta da orelha de Clara ficou vermelha instantaneamente. Ela encolheu o pescoço para trás em pânico, apertando o brinco entre os dedos:
— Já peguei o brinco, o Diretor Simões pode...
Antes que terminasse a frase, foi interrompida por Mark.
O olhar dele pousou no lóbulo da orelha dela que estava à mostra, e ele disse com seriedade:
— Por que está usando só um? Assim fica assimétrico.
Dizendo isso, ele estendeu a mão para tocar o lóbulo da orelha dela.
Clara, assustada, esquivou-se para trás e deu um tapa na mão dele, o rosto vermelho como se fosse sangrar:
— Mark!
O susto foi tanto que ela o chamou pelo nome.
Mark não se irritou. Recolheu a mão, esfregando os dedos onde havia tocado a mão dela, e o sorriso em seus olhos se aprofundou.
Ele endireitou o corpo, encostou-se preguiçosamente na beira da mesa, com uma postura de quem não deve nada:
— Diretora Clara, eu não fiz nada, fiz?

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