No caminho de volta, após pegar a medicina tradicional, o celular de Clara vibrou. A tela mostrava uma solicitação de chamada de vídeo de Renan.
Seus dedos pararam por um instante; ela recusou o vídeo e atendeu apenas por áudio.
— Pai, não dá para fazer vídeo agora, estou na rua. — Sua voz passou pelo receptor com um tom de despretensão.
Renan soltou um "hum" baixo, com um final que carregava um sorriso preguiçoso:
— Está com a Katarina e o pessoal?
No banco do motorista, ao ouvir isso, Mark estendeu a mão e baixou ainda mais o volume do som do carro.
— Não, saí para resolver umas coisas hoje, já estou voltando. — Clara segurava o celular, os dedos acariciando a bolsa inconscientemente.
Do outro lado da linha, Renan estava sentado no sofá da sala, com o braço envolvendo Fabiana de forma relaxada, assistindo a um programa de auditório animado com ela.
Fabiana, ouvindo aquele interrogatório disfarçado, deu um tapinha leve na mão dele e repreendeu:
— Para que isso? A Clara já é adulta, precisa relatar tudo o que faz para você? Se está tão preocupado, compre uma passagem e volte amanhã mesmo.
Renan baixou a cabeça, depositou um beijo leve no topo da cabeça dela e suavizou o tom:
— Só perguntei por perguntar.
As palavras chegaram aos ouvidos de Clara, e ela não fez rodeios, dizendo diretamente:
— Não estou com mais ninguém, vim com um amigo pegar um pouco de medicina tradicional para testar o efeito.
Renan subitamente lembrou-se do que Fabiana havia lhe dito dias atrás. Seu olhar escureceu ligeiramente, mas a voz permaneceu gentil:
— Tudo bem, cuide-se direitinho em casa.
— Pode deixar. — Clara respondeu e desligou o telefone rapidamente.
Ao lado, Mark virou a cabeça, olhando para ela com um sorriso enigmático:
— Seu pai não está em casa?
Clara ergueu os olhos, e um traço de alerta passou instantaneamente por seu olhar:
— Ele volta em dois dias.
Mark riu daquela postura defensiva dela, curvando os lábios:
— Esse seu olhar... parece até que está se protegendo de mim. Fique tranquila, perguntei por perguntar. Não vou te assaltar, e muito menos tenho intenção de me aproveitar de você.
— Você não teria chance. — Clara olhou para ele, com tom decidido. — O Nicolau é ex-militar das Forças Especiais.
— Ah, é? Agora fiquei com medo de verdade.
Mark alongou as sílabas, mas mudou o tom abruptamente, com um brilho astuto nos olhos:
— Em termos de força bruta, naturalmente não sou páreo. Mas, para vencer, não se usa apenas os punhos...
— Parabéns, hein, segundinho.
Tiago levantou as pálpebras, o olhar carregado de frieza:
— Você está pedindo para morrer.
Era apenas para Mark entregar uma pomada, mas o sujeito tinha a língua tão solta que parecia querer anunciar para o mundo inteiro.
— Ingrato! Nenhuma boa ação fica impune. — Mark sentou-se com um sorriso cínico e serviu-se de uma bebida. — Estou feliz por você.
Tiago balançava levemente a taça, o líquido âmbar desenhando arcos nas paredes do vidro:
— E eu preciso que você fique feliz por mim?
Mark ia retrucar, mas levou um chute na canela por baixo da mesa.
Enrique, sentado ao lado, olhava para ele com um sorriso irônico:
— Qual é a sua situação? O projeto de pesquisa do Grupo Campos acabou, devia focar nas suas coisas, não? Quando vamos ver retorno do dinheiro que investimos?
— Acabou, mas eu renovei o contrato. — Mark tomou um gole da bebida, com tom firme. — Fiquem tranquilos, vocês verão um retorno gigantesco.
Enrique riu baixo, revelando o segredo:
— Medo de perder a chance de contato com a Clara?

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