— Minha culpa, minha culpa. Eu pago tudo hoje. Da próxima vez chego meia hora antes e venho pessoalmente buscar as duas senhoritas, está bom assim?
Clara pousou a colher e disse calmamente:
— Para mim não precisa, busque só a Katarina.
Tomás não contestou. Virou-se para pegar o tablet de pedidos das mãos do garçom que acabara de chegar e o enfiou diretamente na frente de Katarina, com um tom lisonjeiro:
— Princesa Katarina, peça primeiro. Escolha o que quiser comer.
Katarina pegou o tablet, deslizando os dedos rapidamente pela tela, sem esquecer de piscar para Clara:
— Clara, hoje não faça cerimônia com ele, escolha só o que for caro.
— Pode deixar, peçam à vontade, não economizem meu dinheiro.
Tomás serviu-se de uma xícara de chá quente, com o olhar fixo nas mãos de Katarina ocupadas com o pedido, um sorriso nos lábios.
Pouco depois, Katarina empurrou o tablet para Clara:
— Veja se tem algo que você quer comer.
Enquanto Clara folheava de cabeça baixa, Tomás recostou-se na cadeira, tamborilando displicentemente a borda da xícara com a ponta dos dedos, e de repente sugeriu:
— Depois do jantar, que tal irmos a um barzinho?
Katarina balançou a cabeça sem pensar duas vezes, esfregando a região abaixo dos olhos:
— Não vou, não vou. Minhas olheiras estão gritando, preciso ir para casa dormir cedo hoje.
Clara também balançou a cabeça levemente, com a voz suave:
— Eu também não vou, meu pai está me esperando em casa.
Ao ouvir isso, Tomás assentiu prontamente, ergueu o queixo para o garçom que se aproximava e entregou o tablet:
— Tudo bem, tudo bem. Vocês vão para casa, então eu também vou obedientemente para casa, para evitar que minha mãe fique reclamando no meu ouvido.
A maioria dos pratos dos três mal tinha chegado e eles ainda não tinham tido tempo de comer direito, quando, na mesa vizinha, Mark e a Sra. Simões já haviam terminado a refeição.
Quando Mark se levantou para pagar a conta no caixa, aproveitou para pagar também a conta da mesa de Clara.
Mais de meia hora depois, Tomás limpou as mãos e levantou-se para pagar, mas foi informado pelo garçom que a conta da mesa deles já havia sido paga por alguém.
Ele congelou por um momento, virou-se e perguntou em voz alta para as duas na mesa:
— Ei, qual alma caridosa foi tão generosa a ponto de pagar nossa conta discretamente?
Katarina olhou quase instintivamente para Clara, erguendo as sobrancelhas com malícia:
— Estão de carro? Se não estiverem, eu levo.
Katarina enfiou a bolsa dela nos braços dele e vestiu o casaco rosa que estava no encosto da cadeira, apontando para Clara:
— Eu vim de carro. A Clara não, leve ela.
Clara não respondeu, apenas pegou o celular e enviou uma mensagem para Mark: [A conta de agora há pouco, foi você quem pagou?]
Só depois de enviar ela ergueu os olhos:
— Não precisa levar, o motorista lá de casa já está esperando na porta, e também não é caminho.
Tomás, segurando a bolsa de Katarina, estendeu a mão para tirar o cabelo dela de dentro do casaco: — E então, Princesa Katarina, tem certeza que não precisa que eu leve?
Katarina balançou a cabeça decisivamente, puxando sua bolsa de volta:
— Não precisa. Cada um para sua casa, cada um para sua mãe.
Dizendo isso, ela enganchou o braço no de Clara sem aceitar recusa, e as duas saíram lado a lado.
Ao sentar no carro, o celular de Clara vibrou. Era a resposta de Mark: [Sim. Na próxima vez, a Diretora Clara me paga um jantar e ficamos quites.]
Clara não fez cerimônia com ele; abriu diretamente a interface de transferência bancária, transferiu o valor exato da refeição e enviou uma mensagem logo em seguida: [Aceite o dinheiro do jantar.]

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