Num piscar de olhos, uma semana se passou. Ultimamente, a mente de Mark Simões estava quase inteiramente voltada para os frascos e relatórios de dados do laboratório.
Neste dia, tendo finalmente concluído o trabalho de encerramento, ele saiu pontualmente e dirigiu para o encontro com a Sra. Simões.
Assim que empurrou a porta do restaurante, não avistou a figura de sua mãe, mas seu olhar colidiu primeiro com um canto do salão — Clara Campos estava sentada de frente para a prima de Estela Soares, Katarina Salgado, com pratos de porcelana fina à frente contendo petiscos requintados.
Mark hesitou por um instante, mas logo avançou, com um sorriso na medida certa nos lábios:
— Diretora Clara, que coincidência. Veio jantar também?
Clara ergueu os olhos ao ouvir a voz, pousou o olhar nele e assentiu levemente:
— Sim.
Mark sorriu e não se estendeu na conversa:
— Então, tenham um bom jantar.
Assim que terminou de falar, ele se virou e caminhou em direção à Sra. Simões, que acenava para ele não muito longe dali.
Katarina tomou um gole de sua água com limão, seguiu as costas de Mark com o olhar, fez um bico e sussurrou:
— É esse aí que você disse que vive te 'assediando'? A aparência até que é boa, mas comparado ao meu irmão, fica muito atrás. Daqui a uns anos, com certeza vai ter aquela oleosidade de homem velho. Você precisa abrir bem os olhos.
Clara foi pega de surpresa pela seriedade dela e soltou uma risada, tocando a testa da amiga com a ponta do dedo:
— Que imaginação é essa? Minha cabeça agora está só no trabalho, não tenho a menor intenção de namorar.
Katarina assentiu com convicção, digitando no celular:
— É verdade. Se você ousasse namorar escondido, o Sr. Campos ficaria louco se descobrisse.
Enquanto falava, seus dedos tamborilavam rapidamente na tela, enviando uma mensagem de WhatsApp para Tomás Moreira:
[Tomás, onde você está? Tem coragem de deixar duas beldades esperando secas aqui?]
Do outro lado, Mark se sentou à frente da Sra. Simões.
A Sra. Simões baixou o cardápio que segurava, olhou-o de cima a baixo e franziu levemente a testa:
— O que você tem feito ultimamente? Parece que emagreceu um bocado.
Mark tomou um gole do chá morno sobre a mesa, o pomo de adão oscilou levemente, e ele respondeu com um tom calmo e firme:
— O que mais eu faria? Apenas trabalhando.
— Eu mesmo tenho que juntar a minha parte, para demonstrar sinceridade.
A Sra. Simões olhou para a seriedade no fundo dos olhos dele e não pôde deixar de rir, estendendo a mão para dar tapinhas nas costas da mão dele:
— Certo, nosso Mark realmente cresceu. Diga, de qual família é a moça? Quer que a mãe vá pedir a mão dela agora mesmo?
Um brilho de astúcia passou pelos olhos de Mark, e ele segurou levemente a mão dela:
— Agora ainda não, mãe. Não tenha pressa. Quando o momento for oportuno, serei o primeiro a te contar.
A Sra. Simões se divertiu com a atitude dele e suspirou, impotente:
— Você, hein... é muito mais proativo que seu irmão mais velho.
Tomás entrou como um furacão, com uma aparência afogueada de quem veio correndo.
Katarina estava bebericando sua bebida e, ao vê-lo daquele jeito, ergueu as sobrancelhas e bufou:
— Já bebi três copos de água com limão. Este aqui eu planejava jogar direto na sua cara. No próximo jantar, não te trago de jeito nenhum.
Tomás puxou a cadeira com um sorriso malandro e sentou-se, levantando as mãos em sinal de rendição:

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