Seven abaixou-se, cutucou a bochecha redonda dele e tentou persuadi-lo:
— Se você me chamar de irmãozão, da próxima vez eu te dou meu carrinho de corrida favorito, tá bom?
Xavi assentiu com a cabecinha, parecendo entender, e resmungou mais alguns sons, que até soavam vagamente como "irmão".
Vendo isso, Seven suspirou de novo, e com toda a paciência do mundo, diminuiu a velocidade para ensinar sílaba por sílaba:
— Ir... mão... zão...
Rita assistia à cena divertindo-se e fez um carinho no cabelo de Seven:
— Seven, não tenha pressa. A tia vai ensinar o Xavi pessoalmente, garanto que logo ele vai te chamar de irmãozão, combinado?
Seven assentiu vigorosamente e disse com seriedade:
— Combinado. Ele não sabe falar agora, a gente não consegue ter uma... comunicação adequada.
Depois, estendeu a mãozinha, acariciou o rosto gordinho de Xavi e disse encorajador:
— Irmãozinho, força aí, viu?
A noite caiu, e Tiago voltou para casa com os dois.
Depois de colocar Seven na cama, ele foi direto para o escritório e ligou para Mark Simões. Foi breve e direto, pedindo para ele agendar um check-up.
Do outro lado da linha, Mark riu com escárnio:
— O quê? Está planejando o segundo filho? Finalmente mudou de ideia?
— Agende o exame primeiro, o resto a gente vê depois — Tiago encostou-se na mesa, a voz sem emoção.
Assim que terminou de falar, a porta do escritório foi empurrada suavemente. Isabela entrou segurando um edredom fino e um travesseiro — ela tinha acabado de fazer Seven dormir.
A atenção de Tiago foi capturada instantaneamente por ela. Ele não ouviu nada do que Mark disse depois, apenas soltou um "me avise quando estiver marcado", desligou o telefone secamente e o jogou no canto da mesa.
Ele caminhou até ela, olhou para a roupa de cama no sofá, ergueu uma sobrancelha e disse num tom meio resignado:
— Já pedi para o Mark agendar o exame, e você ainda planeja me fazer dormir no escritório?
— Sim — Isabela largou as coisas, olhou para ele com um brilho malicioso nos olhos. — Para você se acalmar e pensar bem no assunto.
Dito isso, ela foi até a mesa e ligou o computador com naturalidade.
Tiago a seguiu, suspirando baixo:
— Já estou calmo o suficiente. Se me fizer dormir aqui, eu não vou conseguir pregar o olho.
Isabela pousou a mão no mouse e retrucou sem olhar para trás:
— Se não consegue dormir, melhor ainda. Terá tempo de sobra para refletir.
Tiago não contestou mais. Apenas estendeu os braços por trás dela, abraçou-a gentilmente e a pegou no colo. Sentou-se na cadeira do escritório, acomodando-a firmemente em seu colo.
— Tiago, você pede para apanhar!
Tiago não se irritou nem um pouco. Pelo contrário, riu baixo, lambeu o lugar onde ela bateu e olhou para ela com puro dengo:
— É, nessa vida, só você pode me bater assim à vontade.
Então baixou a cabeça e bloqueou os lábios dela. Não foi uma mordida birrenta como a anterior, esse beijo foi leve, suave, como uma pena roçando o coração.
Os lábios dele, mornos, tocaram os dela com cuidado, roçando primeiro, com um misto de adoração e apego.
Os braços se apertaram mais, colando o peito dela ao dele, permitindo que sentissem as batidas firmes dos corações um do outro, compassadas, entrando em sintonia.
Os dedos de Isabela se curvaram instintivamente contra o ombro dele. Ela não recusou, nem respondeu, mas suas orelhas ficaram vermelhas.
Tiago, sentindo a permissão silenciosa, aprofundou o beijo aos poucos.
Ele sugou o lábio inferior dela de leve, provocando um tremor nela, e contornou a forma de sua boca.
As respirações se misturaram, trazendo o cheiro fresco de cedro dele, mesclado ao leve aroma de tinta do escritório, envolvendo os dois num emaranhado doce.
A mão dele deslizou suavemente pelas costas dela, os dedos mornos passando pelo tecido da roupa, até pararem na cintura dela, acariciando devagar.
Só quando a respiração de Isabela ficou descompassada é que ele se afastou um pouco. Encostou a testa na dela, roçou o nariz no dela, e o sorriso nos olhos transbordava uma ternura infinita:
— Ainda vai me fazer dormir no escritório?

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