Isabela arqueou uma sobrancelha para ele, com um tom astuto:
— Você quer me agradar e ainda me pergunta como? Nesse caso, é melhor eu mesma me agradar.
Tiago murmurou um “oh” baixo, inclinou-se e seus lábios quentes tocaram os dela suavemente.
Isabela, pega de surpresa, o empurrou, o rosto corando.
— Isso é me agradar? Claramente você só quer se aproveitar.
Tiago riu, o polegar roçando o canto dos lábios avermelhados dela.
— Agradar a nós dois, não pode?
Isabela bufou, afastou-o e levantou-se, indo sentar-se no tapete ao lado do cavalete.
Ela pegou o celular e arrumou as tintas ao seu lado, preparando-se para misturar as cores.
Tiago, sentado no sofá, observava seu perfil concentrado e perguntou com voz suave:
— Precisa de ajuda?
— Não. — Isabela não ergueu a cabeça, focada em comparar a foto no celular. — A maior ajuda que você pode me dar é não me atrapalhar.
— Certo — respondeu Tiago, levantando-se e indo para sua mesa de trabalho para terminar as tarefas que havia deixado de lado.
O escritório estava silencioso, apenas o som do pincel deslizando sobre a tela e os flocos de neve dançando do lado de fora da janela.
Isabela, olhando a imagem de Seven no celular, traçava cada linha com cuidado. Embora não pintasse há muito tempo, sua habilidade ainda estava lá, e o contorno do menino rapidamente tomou forma no papel.
Uma hora passou sem que percebessem. Tiago terminou seu trabalho e, ao erguer os olhos, viu Isabela ainda encolhida no tapete, as costas ligeiramente curvadas, tão concentrada que não notou o que acontecia ao seu redor.
Ele foi à cozinha, serviu um copo de água morna e, ao voltar, disse em voz baixa:
— Descanse um pouco, beba um pouco de água.
Isabela ergueu os olhos ao ouvi-lo e disse apenas uma palavra:
— Água.
Tiago riu e levou o copo aos lábios dela. A água morna desceu por sua garganta, e depois de beber quase todo o copo, a secura diminuiu.
— Descanse. Já está muito vivo — ele disse, olhando para a tela. A pequena figura brincando na neve parecia saltar do papel, o sorriso idêntico ao do Seven no vídeo.
— É uma surpresa, não posso revelar antes da hora.
Isabela murmurou um “oh”, aninhando o rosto em seu peito quente, a voz suave como algodão.
— Estou com sono.
— Vamos para o quarto dormir — disse Tiago, o tom gentil, mas firme, apertando os braços ao redor dela.
Isabela respondeu com um murmúrio abafado, o nariz roçando a camisa dele.
— Quando eu acordar, escolho um presente para você.
— Não precisa escolher. — A voz de Tiago era grave e magnética, cada palavra ecoando em seu coração. — Ter você já é o suficiente.
O coração de Isabela falhou uma batida. Ela tocou levemente o peito dele com a ponta do dedo, com um tom travesso:
— Oh? Me tratando como um presente? Bem, este presente aqui é muito valioso.
Tiago olhou para a ponta avermelhada de sua orelha, um sorriso nos lábios, a voz cheia de ternura:
— Sim, uma troca justa. Eu me dou de presente para você, e garanto que vou te servir muito bem.

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