Seven mal havia adormecido quando Enrique Guerra e Estela Soares chegaram com Ivana para uma visita, com a desculpa de que já estavam enjoados da comida de casa e queriam variar o cardápio.
Cada um carregava uma sacola grande de ingredientes, tão pesadas que fizeram Tiago Nunes erguer levemente uma sobrancelha. Sua voz soou neutra, sem qualquer emoção:
— Ficaram sem água e gás em casa?
— Que nada — disse Enrique, colocando as compras sobre a mesa com a maior naturalidade. — Viemos de penetra, mas com sinceridade. Trazendo os ingredientes, mostramos nossa boa intenção. A culpa é de vocês que cozinham bem, nós somos um desastre na cozinha.
Isabela Lopes abriu uma das sacolas para espiar e não conseguiu conter o riso:
— Estão planejando um banquete aqui? Compraram tanta coisa, será que vamos dar conta de comer tudo?
Tiago franziu a testa imediatamente, seu tom não admitia réplica:
— O que sobrar, eles levam tudo de volta para casa à noite.
Enrique deu um tapinha amigável em seu ombro e, com um sorriso atrevido, insistiu:
— Sua casa é tão grande, poderíamos ficar por uns dois dias também.
— À noite, seu sogro virá pessoalmente buscá-lo — disse Tiago com leveza, uma frase que atingiu em cheio o ponto fraco de Enrique.
A expressão de Enrique escureceu na mesma hora, e ele rangeu os dentes:
— Tiago, se continuar me sabotando assim, vai acabar perdendo um amigo!
Enquanto a discussão animada continuava, Isabela já havia instruído a empregada a guardar os ingredientes e colocou uma cesta de petiscos na mesa:
— Ivana, escolha o que você mais gosta.
Ivana se debruçou obedientemente sobre a mesa, sua vozinha doce e infantil respondeu:
— Tá bom, obrigada, madrinha.
Do outro lado, Estela observava lentamente a decoração da sala. Seu olhar se deteve em um quadro na parede e ela perguntou de repente:
— Isabela, foi você quem projetou esta casa?
— Não — respondeu Isabela distraidamente, afagando os cabelos de Ivana. — Foi ele quem contratou alguém para projetar.
Estela curvou os lábios num sorriso, com um tom de brincadeira:
— Que raro. Pelo menos dessa vez, ele se empenhou de verdade.
Caminhando até a varanda, ela se apoiou no parapeito e olhou para longe. Abaixo, os arranha-céus se enfileiravam, e o verde do parque central se estendia diante de seus olhos.
Estela respirou fundo e, virando-se para Enrique, sorriu:
— Vamos comprar um apartamento aqui também, para sermos vizinhos da Isabela. E ainda podemos pedir para ela projetar.
Enrique concordou, seu olhar voltando para Tiago com um toque de provocação:
— Ótimo. Peça ao Tiago Nunes um desconto especial para nós.
— Sem descontos — disse Tiago, encostado no batente da porta, com a voz preguiçosa. — Este empreendimento tem mais procura do que oferta, não faltam compradores.
— À vontade. Pegue o que gostar — disse Isabela, agachando-se e afagando seus cabelos.
Ivana imediatamente colocou os petiscos no chão, sentou-se de pernas cruzadas e começou a vasculhar os livros da prateleira de baixo, folheando um por um.
A noite caía lentamente. Isabela, com as mangas arregaçadas, acabara de entrar na cozinha quando ouviu passos firmes atrás de si.
Tiago, vestindo uma camisa preta bem passada e calças sociais que realçavam sua figura esguia, aproximou-se e tirou de suas mãos o avental bege. Sua voz, grave e magnética, soou com um toque de preguiça:
— Deixa que eu faço.
Dizendo isso, ele pegou a mão dela e a levou suavemente até sua própria cintura. As pontas de seus dedos roçaram a palma quente dela, e seu tom tinha uma intimidade que não admitia recusa:
— Amarre para mim.
Os dedos de Isabela tocaram o tecido firme em sua cintura, sentindo um leve formigamento. Ela levantou as mãos para amarrar o avental e, antes que pudesse retirá-las, Tiago se inclinou.
Seus lábios quentes tocaram o canto da boca dela, um toque leve como o de uma borboleta, que desapareceu num instante.
Ele se endireitou, com um brilho de riso nos olhos, e sussurrou, a voz baixa e provocadora:
— Vá descansar. Guarde um pouco de energia.
Aquelas palavras roçaram a orelha de Isabela como uma pluma, e a base de suas orelhas instantaneamente corou.
Ela ergueu a mão para lhe dar um tapa, mas os dedos pairaram no ar. Lembrando que ele ainda precisava cozinhar, ela mordeu o lábio e se conteve.

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