Assim que cheguei na antessala de Gabe o vi entrando por uma porta lateral. Nossos olhos se encontraram e em seguida ele analisou-me de cima abaixo, sem dizer nada. O olhar dele me fazia o estômago contorcer-se. E dava um misto de fome com ansiedade.
Uma nova mesa, igual à das duas outras secretárias, estava na lateral oposta delas, especialmente para mim.
- Bom dia! – Gabe falou de forma geral.
Eu não respondi. Simplesmente porque não estava com vontade. Ele não havia ido para casa e não merecia um cumprimento de “bom dia”.
Fui para minha mesa e sentei-me na cadeira, girando-a para um lado e depois para o outro. Em seguida fiz uma volta de 360º, para conferir sua potencialidade.
- Senhora Clifford, isto é uma cadeira, não um brinquedo de um parque de diversões. – Ouvi a voz de Gabe ao meu lado, tão baixa quanto um sussurro, a mão descansando na madeira de lei escura.
Então avistei sua aliança no dedo esquerdo. E sorri, não contendo o gesto de alisar sua mão carinhosamente. Encarei-o e talvez tenha percebido um sorriso lindo... Que não foi dado, óbvio (só coisa da minha cabeça).
- Comporte-se. – Ele disse, ajeitando-se.
- O que devo fazer? Qual será minha função como terceira secretária? – Perguntei.
- Ingrid lhe dirá o que fazer. Ela segue sendo a minha secretária e quem dá as ordens por aqui. – Gabe deixou claro.
Assenti e assim que ele entrou na sala, perguntei para a secretária:
- O que posso fazer?
Ela deu um sorrisinho sarcástico:
- Faça o que desejar. – Voltou os olhos para o computador.
Olhei para a outra secretária:
- Quer... Me dar uma tarefa?
- Eu... Também recebo ordens. – Ela sorriu sem jeito, olhando para a tal Ingrid.
- Eu... Sou a esposa de Gabe. – Expliquei para a vice secretária (aposto que aquela era a função dela), caso ainda não soubesse.
Ingrid riu e falou, sem me olhar, ainda focada na tela do seu computador:
- Como se a esposa de Gabe Clifford fosse trabalhar algum dia! É claro que isto tudo está bem errado. E por mais que você tente convencer a todos – me olhou – Ninguém acredita que este casamento de fato seja real.
- Ele me deu o emprego... Aqui. – Tentei me convencer de que eu era importante para Gabe de alguma forma.

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