- Não, realmente não fez. Mas o senhor contraiu empréstimos bancários. E como garantia deu tudo... Só não a família porque ninguém pediu. – Não contive um sorrisinho ao ver o semblante de espanto e impotência dele.
- Mas... Ainda assim não tem nada a ver com a Clifford. – Mesmo com o ambiente climatizado em temperatura ambiente, percebi as gotículas de suor na sua testa e tive vontade de gargalhar.
Sim, depois de mais de dez anos pela primeira vez eu senti vontade de rir de verdade. E jamais imaginei que o homem que me fez chorar pela primeira e última vez também seria capaz de me fazer rir novamente, mesmo que fosse aquela alegria momentânea o motivo do seu fracasso.
- Na verdade tem. Eu comprei o banco. O que torna as suas dívidas minhas.
Ernest contraiu os lábios, tentando entender. Mas eu não precisa explicar-lhe que comprei o banco para que a dívida fosse minha. Seria entregar-lhe de bandeja parte do que tinha lhe preparado com tanta dedicação nos dez anos que se passaram.
- Eu... Não entendo onde quer chegar, senhor Clifford.
- Irei direto ao ponto, senhor Abertton: quero que sua filha, Olívia, case com meu irmão, Jorel.
Ernest contraiu os lábios novamente e uma sobrancelha ergueu-se, de forma questionadora. Fez menção de falar algo, mas parece que a voz lhe traiu, não saindo.
- Suas dívidas estão atrasadas. E a casa prestes a ser tomado pelo banco. – Expliquei.
- Eu... Botei a empresa à venda – alegou – A concessionária de rodovias poderia ser dada em nome da dívida.
- Não! Tomarei sua casa, confiscarei seus bens, terá que dar a concessionária. Ainda assim não quitará suas dívidas com o banco.
- Os juros... São altos demais.
- Sinceramente, pouco me importo. O senhor assinou o contrato.
- Não entendo porque Olívia está nesta conversa.
- Quero que meu irmão case. Está na hora de ele assumir um compromisso. Simples assim.
- Jorel Clifford... É um homem bem famoso na mídia nacional...
- Sim... – sorri.
- Por coisas ruins. – Engoliu em seco.
- Hum, sua filha é alguma princesa de porcelana por acaso?
- Para mim ela é.

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