- Então trabalha “para” o meu marido. Há... Vejamos se adivinho? Dois, três anos?
- Seis anos. Sou a pessoa de confiança dele, caso queira saber. Tanto que sei que quem casaria com você era Jorel e não o senhor Clifford. Eu preparei os papéis, eu mandei o vestido, eu enviei os convites.
- E também foi você que teve a ideia de mandar todos os convidados usarem branco?
Ela sorriu satisfeita:
- Esta parte cumpri as ordens do senhor Clifford.
- Você dorme com meu marido?
A mulher que estava ao lado dela pigarreou e percebi a secretária ficar com o rosto vermelho.
Suspirei e a encarei:
- É melhor ficar do meu lado, ou perderá seu emprego de seis anos. Quanto à Rarith... A tirarei do meu caminho. Se gosta de trabalhar na Clifford e ser a secretária particular do meu marido, fique ao meu lado, já que sou a esposa. Amantes não tem vez. Portanto, se é uma delas, já vá saindo fora da vida de Gabe. Ele não dormirá com ninguém a não ser comigo.
Virei as costas e saí, deixando a mulher certamente pensativa quanto ao lado de quem ficar. Se fosse esperta, escolheria ficar comigo e não ao lado de Rarith. E por algum motivo não achei que Gabe fosse o tipo de homem que dormisse com a secretária. Ele levava contratos a sério, já que não tinha nem dormido comigo!
Fui andando sem pressa pelo prédio gigantesco da empresa Clifford. O lugar era incrível e tive vontade de conhecer a indústria, que sabia que ficava do outro lado do país, por questões de logística.
Meu marido não era só rico e sim bilionário... Ou trilionário. O que meu pai, um simples mortal na casa dos três dígitos de renda mensal lhe teria feito?
Vi algumas mulheres andando com roupas justas de academia, com toalhas e garrafas de água. As segui e percebi que havia uma academia gigantesca na empresa Clifford. Fiquei observando a quantidade de aparelhos, capaz de acolher uma cidade inteira. Aquilo era perfeito!
Peguei meu bloco de anotações e escrevi: “A parte ruim do dia foi ter descoberto que meu marido tem uma amante e mandou um presente para ela. Se ele a presenteou é porque há sentimentos. A parte boa é que descobri uma academia na empresa Clifford. Como não tenho dinheiro, vou malhar na empresa. E descontar toda minha raiva da amante nos aparelhos. Estou salivando neste momento, meu corpo implorando por uma sessão. Faz anos que tenho uma rotina totalmente regrada e a falta dela, mesma que em poucos dias, não faz nada bem ao meu corpo.”
Comi o restante que havia na geladeira naquela tarde e não tinha mais dinheiro para comprar novos mantimentos. Eu estava me alimentando mal, totalmente fora da dieta, tanto nos horários quanto no tipo de alimentação. Sabia que meu corpo não resistiria muito tempo, pois fazia anos que eu não ingeria nada fora do prescrito.

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