- Morrerei em minutos, por sangramento maciço e perda de consciência rápida.
- Mas tem outra veia aqui, mais perigosa ainda... – Apertou um pouco mais o vidro com o qual me ameaçava.
- Não é uma veia, é uma artéria... A carótida.
- Hum, eu não sabia que era uma artéria. Parece que você ia bem nas provas de Medicina.
- O sangue sai em jatos pulsantes... A morte se dá em segundos, por falta de oxigênio no cérebro.
- Existe alguma forma de sobreviver?
- É improvável, mas não impossível. Se o corte foi superficial, atingindo apenas a jugular externa e alguém pressionar o ferimento imediatamente com um pano limpo... Há chances.
- Acha que Gabe faria isto? Ele saberia como salvá-la?
- Eu... Não sei. – Fui sincera.
Mas uma coisa eu percebi: ele não sabia a diferença entre a jugular e a carótida, nem o local de cada uma. Ao menos o um ano que estudei medicina parece que me preparou só para uma coisa: aquele momento.
- Ligue imediatamente para Gabe. E falará o que eu mandar. – Apertou o vidro contra o meu pescoço, me obrigando a fazer a ligação.
POV GABE
Vi o nome de Rowan no visor do celular e atendi imediatamente enquanto já estava em vias de acessar o portão de entrada da casa dele.
- Gabe! – Ouvi a voz de Olívia do outro lado.
- Olívia? Me diga que está bem!
- Eu estou bem. – A voz dela pareceu tranquila.
Mas era impossível Olívia estar bem sendo que encontrava-se em domínio daquele homem.
- Não, ela não está bem, Gabe! – ouvi a voz de Rowan – Sabe por quê? Porque neste momento tem um vidro na garganta dela, mais precisamente numa artéria.
- Está na jugular! – Olívia corrigiu-o.
Sim, chuchu tinha aquela mania de se importar com detalhes mínimos, como se o fato de o vidro estar na jugular ou na artéria fizesse alguma diferença para mim. Só o fato de ela estar naquela casa já me preocupava. E tinha algo na sua garganta, ameaçando sua já tão frágil vida.
- Sabe que está encrencado, Rowan!
- E você pelo visto não está na cadeia.
- Como eu estaria na cadeia se não cometi crime algum? Mas fiquei um pouco chateado de não ter conhecido as instalações, para poder lhe antecipar sobre como é o lugar no qual passará o resto dos seus dias, até o fim da vida.
- Ainda acha que está em condições de me ameaçar, Gabe? – Rowan riu – Quando entenderá que eu não estou brincando?
- Solte Olívia. Eu fico no lugar dela.
Ele riu novamente, de forma debochada:
- Sei que a porra da vida dela vale mais que a sua. Você daria tudo que tem por sua esposa doente. Talvez eu queira provar o que tem de tão interessante no chuchu, que o fez esquecer até mesmo Mônica.
- Solte-a, Rowan. Eu entro na mansão e ela vai embora.
- Não!
- Quanto você quer?
- Que parte não entendeu que não é sobre dinheiro, Gabe?
- Como não? Tudo que você queria era a minha maldita herança.
- Não é só sua. Eu também tenho direito sobre ela.
- O fato de eu ter deixado tudo para Rarith um dia não significa que você poderia usufruir, Rowan. Mas agora nem faz mais sentido brigarmos por isto, já que troquei o testamento. E deve saber que por um determinado tempo não posso mexer novamente nele, por questões legais.
- Eu não quero dinheiro, Gabe.
- O que quer, então? Qualquer coisa... Diga e lhe darei. Em troca solte Olívia.
- Ele quer... Aneliese, Jai e Rarith. – Ouvi a voz de Olívia, de forma pausada, como se precisasse me fazer entender quem eram aquelas pessoas.

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