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A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I romance Capítulo 220

POV OLÍVIA

Naquela noite eu tiraria a verdade de meu pai, de um jeito ou de outro. Se ele tinha alguma relação com Rowan, teria que me contar.

Apesar de tudo, gostei do convite dele. Seria como nos velhos tempos! E eu tinha saudade daquilo: nós dois. Sempre fomos muito ligados e desde que Gabe apareceu em nossas vidas, papai e eu nos afastamos completamente. Claro que foi por conta da vingança, já que Gabe me mostrou uma versão do meu pai que eu não conhecia.

E embora eu tenha tentado de todas as formas defendê-lo e acreditar que ele era uma boa pessoa, depois do teste de irmandade que fiz com Jai, veio à tona um Ernest Abertton que eu não sabia se realmente conhecia. Ainda assim eu o amava e sabia que sentimentos era uma das coisas que ser humano algum conseguia controlar.

Bati na porta e ninguém atendeu. Achei estranho porque as luzes estavam acesas. Pus mais força na mão e ainda assim não fui notada. Não havia som algum vindo do lado de dentro da casa, o que fazia com que não me ouvir fosse praticamente impossível.

- Pai! – gritei.

Morei naquela casa por dez anos e a campainha nunca foi consertada. Tentei o puxador, mas estava trancada pelo lado de dentro, certamente chaveada.

Dei a volta e acessei os fundos da casa. E a porta de lá estava aberta. E o cômodo que antecedia a cozinha tinha as luzes acesas.

Fui entrando e ligando as luzes. Então me deparei com meu pai no chão, deitando num rio de sangue que seu próprio corpo produzia, o vermelho escuro contrastando com o piso branco, fazendo com que a cena parecesse um filme de terror, algo irreal, que jamais imaginei presenciar, mesmo depois de tantas coisas pelas quais já tinha passado.

Dei um grito tão alto que os cachorros ao longe começaram a acuar, fazendo com o silêncio mortal fosse quebrado.

Esperei que qualquer coisa acontecesse, menos que eu escorregasse no líquido viscoso e caísse sobre meu pai, minhas mãos tocando seu peito, na esperança de que ainda estivesse respirando. Foi quando percebi o tiro no peito, certamente de onde saía o sangue. O coração dele não estava batendo. A pele estava tão fria quanto o gelo.

Um homem apareceu na porta e me encolhi, amedrontada. Ele imediatamente pegou o celular no bolso e ouvi quando disse:

- Senhor Clifford, sou eu! O senhor... Precisa vir imediatamente para a casa onde sua esposa morava com a família. É urgente! Estou chamando a polícia.

- Ambulância! – Pedi.

O homem se aproximou e tocou o peito de meu pai. Com o olhar consternado disse:

- Ele... Está morto!

Me ofereceu a mão, que não aceitei. Simplesmente deixei que as lágrimas se apossassem de mim e deitei ao lado de meu pai, abraçando-o, sentindo o mundo cair sobre a minha cabeça, meu coração sendo acometido de uma dor tão intensa que temi não sobreviver.

- Sinto muito, senhora Clifford! – O homem disse.

- Quem... É você? – Perguntei em meio às lágrimas.

- Sou seu segurança, contratado pelo senhor Clifford. Faz meses que a acompanho de longe. Ouvi seu grito e...

- Viu alguém saindo da casa? – Tentei.

- Não... Me parece que isto aconteceu... Há um tempo.

Fiquei ali, com os olhos fechados, incrédula com o que havia acontecido. Eu deveria avisar todo mundo, mas não o fiz. Porque sabia que em instantes meu pai seria retirado dali e eu nunca mais o tocaria... Nem vivo, nem morto.

Gabe chegou antes da polícia. Quando o vi, tentei levantar, mas o sangue me impedia de movimentar-me. Meu marido se aproximou e me pegou no colo, acolhendo-me com todo carinho, pouco se importando com meu estado e com as manchas de sangue que eu levava à sua roupa.

- Gabe... Ele se foi! – Minha voz mal saiu.

Ouvi o som das sirenes dos carros de polícia enquanto Gabe andava pela casa, incerto sobre onde me depositar. E eu não queria ir para nenhum lugar a não ser seus braços.

Gabe sentou-se no sofá e me aconchegou ao seu colo.

- Eu... Não sei o que fazer... – falei, com a cabeça em seu peito, uma escuridão tomando conta de mim.

- Precisa se acalmar, chuchu. A polícia resolverá tudo, não se preocupe.

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