Assim que despertei demorei um pouco para assimilar onde estava. Ah sim, eu havia casado com Gabe Clifford, um homem lindo, dono dos mais belos olhos azuis que já tive o prazer de ver e ele saiu na nossa noite de núpcias, me deixando a sonhar com a tão desejada “foda”.
Olhei para o lado e avistei o porta-retrato com a foto de Jorel Clifford e eu, sorrindo felizes num cruzeiro.
- Bem que poderia ter sido nós dois, não é irmão Clifford mais novo? Acho que teríamos nos dado bem – alisei o rosto dele, sempre com aquele sorriso incrível – Prometo fazer o possível para não odiar o seu irmão. Eu jurei para mim mesma que nunca mais desejaria nada de ruim a ninguém depois que saísse do inferno. E Deus me ouviu e me fez chegar na casa do meu pai! Não posso quebrar meu juramento.
Espreguicei-me e olhei a aliança no meu dedo, retirando-a e tentando ler o nome que estava ali dentro. Só para ter certeza, pus minhas lentes e confirmei que estava casada com Gabe, mas carregava uma aliança com o nome do irmão dele. Aquilo era bem estranho. Mas... Se meu marido não se importava, quem era eu para me importar?
Talvez Gabe me propusesse um casamento aberto. E se fizesse aquela proposta eu aceitaria? Não sei. Talvez devesse pensar melhor a respeito. E nesta liberdade que ele talvez estivesse pensando será que eu poderia transar com Jorel?
Espreguicei-me de novo, sem pressa, medi minha glicose, que estava alta, e desci para aplicar a insulina e fazer a desjejum. E para minha surpresa tinha alguém na cozinha: uma mulher de uns 50 anos, usando um uniforme preto.
- Você é a cozinheira? – perguntei, abrindo a geladeira e pegando minha caneta para aplicação da insulina – Sou Olívia, esposa de Gabe.
- Eu sou a arrumadeira – ela sorriu – Não há cozinheira na casa. Quando há algum jantar ou almoço, o que é bem raro, o senhor Clifford contrata algum chef famoso.
- E quem compra a comida?
- Eu... Não sei, senhora Clifford.
- Pode me chamar de Olívia. Nem eu me acostumei ainda com este sobrenome. Casamos ontem. – Expliquei, levantando a blusa e aplicando a insulina na barriga.
- Isto... Dói?
- Não... Já acostumei. – Sorri, tentando deixá-la segura e tranquila.
Abri as gavetas e não tinha quase nada para comer.
- Acho que meu marido quer que eu morra de fome – suspirei, chateada – Preciso comer de 3 em 3 horas e alimentos bem específicos. Gabe não se deu conta disto. Mas até entendo... Ele é um homem muito ocupado. Como teria tempo de se preocupar com minha diabetes?
A mulher me olhou, franzindo a testa:
- Posso arrumar a suíte de vocês?
Peguei um pacote de aveia e observei a validade. Estava vencido há dois meses. Joguei no lixo.

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