Assim que chegamos na Delegacia, Aneliese nos esperava do lado de fora. Correu na nossa direção quando nos viu, mal esperando que descêssemos do carro.
A abracei, sentindo os braços dela me envolverem com força. Estava com os olhos vermelhos, certamente de tanto chorar.
- O que houve, porra? – Gabe perguntou, no exato momento em que um carro estacionou ao nosso lado, de onde desceu um dos advogados dele.
- Jai perdeu a cabeça... – Ela tentou explicar, ainda nervosa.
- O que ele fez, Aneliese? – Eu já sentia o coração bater na boca.
- Estávamos jantando, num restaurante... Rowan chegou e... Me disse algumas coisas... Jai o chamou para fora e eles brigaram... E depois Jai destruiu o carro de Rowan... Praticamente inteiro!
- Como ele fez isto? – Eu quis saber.
- Com o próprio carro... Bateu no de Rowan até que virasse sobre a calçada, transformando-o num monte de lata amassada. Rowan chamou a polícia... E Jai ficou lá, esperando... E ainda ameaçando Rowan.
- Caralho, devo dar os parabéns a este homem? – Gabe perguntou, rindo – Duvido que alguém faria melhor. Como nunca pensei nisto... Destruir o carro de Rowan?
- Você... Está chateada com isto? – Questionei, hesitante.
- Chateada? – ela sorriu, limpando a única lágrima que se atreveu a descer depois que tinha decidido parar de chorar – Estou chateada porque Jai está foi preso por minha culpa... Mas... – balançou a cabeça, não se atrevendo a me olhar nos olhos – Nunca na vida alguém me protegeu desta forma... Nunca!
- Boa noite, doutor! Pelo visto já ouviu tudo que houve. Tarefa difícil? – Gabe perguntou ao advogado.
- Certamente Jai poderá ser liberado sob fiança.
- Isto não é problema! – Gabe garantiu – Vocês duas entrem! Nada de ficarem aí fora. Quanto menos aparecerem, melhor. Não confio em nada nem ninguém. E por enquanto só contratei um segurança para Olívia.
Olhei em volta, tentando encontrar alguém que ele mencionou ser o meu segurança, mas não vi ninguém. Ainda assim peguei a mão de Aneliese e entrei com ela na delegacia, conforme Gabe havia pedido.
Fomos levadas para uma sala separada das demais pessoas, certamente pelo sobrenome que carregávamos ou até mesmo a simples presença de Gabe no local. Peguei um copo de água para ela, que tomou todo e depois me olhou:
- Obrigada... Por terem vindo.
- Eu entendo você – sorri, pegando a mão dela – Na noite que contei a Gabe o que Rowan havia feito comigo, ele me trancou no carro. E eu o vi me defendendo... Do seu marido – fiquei sem jeito – E nunca alguém fez algo daquele tipo por mim. Sim, eu sei... É estranho. E parece errado nos sentirmos bem e felizes em ver alguém sendo quebrado por nossa culpa. Ainda assim... É uma sensação de proteção e segurança... Incrível. E que não é qualquer pessoa que consegue nos proporcionar.
- Me sinto culpada por Jai estar aqui...
- Ele jamais colocará a culpa em você.
- Jai... É uma pessoa incrível – ela respirou fundo – E fico me perguntando o motivo pelo qual não foi ele que apareceu na minha vida e sim Rowan.
- Há coisas que não tem como explicarmos... Simplesmente acontecem. E acredito que seja na hora que precisam acontecer.
- Eu o conheci tarde. – Ela sorriu, sem jeito.
- Não, não diga isto, Aneliese.

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