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A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I romance Capítulo 191

Jorel me abraçou, chorando como fazia quando era criança, e eu o acolhia no meu colo e logo depois ele era retirado de mim. Eu ainda carregava os castigos na mente... E na alma.

Mas eu conseguia naquele momento, diferentemente de Aneliese, aceitar que nosso pai não estava ali e tudo que acontecia era fruto de nossas memórias, um simples gatilho que nos fez voltar ao passado do qual tantos tentávamos nos livrar.

Meu irmão certamente tinha as lembranças dele, mas não eram nada comparadas às minhas e de Aneliese. Jorel era o caçula e por este motivo não sofreu o mesmo que nós, pois passou pouco tempo sob o domínio dos nossos pais. No entanto teve menos atenção ainda de nossa mãe, que quando ele nasceu se encontrava mais dentro dela mesma do que no próprio mundo em que vivia.

Hoje eu entendia que aquilo era depressão, mas antigamente achava que ela usava daquilo para não entrar em atrito com nosso pai. Ela nunca foi mãe! Para mim era uma mulher que morava na nossa casa e vez ou outra fazia as refeições conosco. Raramente ela se deixava levar por alguns momentos mais espontâneos, geralmente na casa do lago, quando nos surpreendia com um sorriso, embora triste.

Caralho, procurei a vida inteira fingir para mim mesmo que não era o que eu pensava com relação a Aneliese. Mas naquele momento eu tinha certeza do que realmente acontecia quando aquele monstro me botava os abafadores.

Soltei Jorel e fui na direção dela. Já tinha ficado tempo suficiente sozinha, com sua própria dor e lembranças que eu sabia que doíam demais.

Sentei-me no chão e a puxei para mim, abraçando-a com força, sentindo seus braços finos e frios me envolvendo. Cada vez que eu encontrava Aneliese, mais magra ela me parecia. E se continuasse daquele jeito em breve desapareceria, definharia feito um doente terminal.

Senti as lágrimas brotando dos meus olhos, sem serem solicitadas, sem pedirem licença, como geralmente faziam. E sempre que pediam, eu negava e elas obedeciam. Mas naquele momento elas não pediram passagem e simplesmente chegaram, surpreendendo-me.

Por que doía tanto constatar a verdade que sempre esteve debaixo dos meus olhos? Era como uma faca afiada, de ponta, girando no meu peito, fazendo-me compreender que errei, que não deveria tê-lo obedecido, que não tinha que ter tanto medo a ponto de ser cego. Eu fui um covarde... Enquanto ele me ensinava a ser “homem”. Que tipo de homem aceita tudo que aceitei vindo daquele monstro?

- Por que... Nunca contou? – Perguntei, num fio de voz.

- Porque nada mudaria se eu contasse... Era só mais uma dor para você carregar! – a voz dela saiu abafada pelo meu peito, onde se escondia.

Jorel sentou-se no chão e, ainda confuso, alisou os cabelos de nossa irmã. Não era de se duvidar que ele não estivesse compreendendo nada do que acontecia naquele momento, já que nosso irmão sempre foi lento para entender as coisas com relação à nossa família e o passado.

- Que porra... Está acontecendo? – Ele perguntou, confuso, querendo explicações, como se estivesse sendo excluído de uma conversa da qual gostaria de participar.

Aneliese levantou o rosto e o olhou. Depois sorriu e alisou a bochecha machucada dele:

- Eu o matei, Jorel.

Senti o sangue ferver dentro de mim. Como assim? Do que ela estava falando? O que me respondeu não foi sobre ter sido abusada? Afinal... Houveram abusos?

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