Meu interfone tocou e não atendi. Eu estava numa reunião e talvez o secretário sendo novo não sabia que eu não aceitava ser interrompido. No entanto recusei e ele seguiu tentando.
Fiquei irritado com o som estridente e insistente. Peguei o fone para mandá-lo a puta que pariu, depois de manda-lo passar no RH e assinar sua demissão quando ouvi a voz preocupada:
- Senhor Clifford, tem uma mulher aqui que deseja falar com o senhor urgentemente. E disse que não pode esperar... E... Inclusive está tentando invadir a sala. Devo... Chamar a segurança?
Eu sorri. Sabia quem era.
- Mande-a entrar.
Segundos depois a porta se abriu e deparei-me com os traços marcantes e expressivos, com seus olhos grandes e profundos, em um tom castanho-escuro quase melado. O olhar era penetrante e cheio de personalidade. A pele morena clara refletia sua vitalidade e os lábios carnudos destacados por um batom vibrante traziam um leve e irônico sorriso. Os cabelos longos em tom castanho, que eu nunca tinha visto soltos, desta vez estavam caindo em ondas por seus ombros. De cima de seus 1,70 metros, me encarava de forma firme.
- Ingrid? – Franzi a testa, surpreso pela presença dela, já que a única pessoa que tinha direito de interromper a minha reunião e invadir minha sala era minha esposa.
- Senhorita Ferrari. – O advogado cumprimentou-a com um aceno de cabeça, de forma educada, com a sobrancelha arqueada, tão surpreso quanto eu pela presença dela.
- Com que direito volta na Clifford? – Perguntei – Acabo de saber que coletou minha assinatura num documento o qual eu não li. Como sabe que nunca na vida assinei documentos sem ter ciência, já que não confio em ninguém, posso afirmar que enquanto trabalhava para mim a senhorita me ludibriou – recostei-me na cadeira, de forma preguiçosa, não contendo um sorriso sarcástico – Mas confesso que chegou na hora exata... Em que eu e o senhor Castro falávamos sobre o seu futuro.
- Meu futuro? – ela franziu a testa, curiosa.
- Sim, eu estava neste exato momento perguntando o que poderíamos fazer para que a senhorita possa responder judicialmente por seus atos que me trouxeram consequências desastrosas.
Ela riu, com tranquilidade:
- Não fará nada contra mim, senhor Clifford.
- Sim, eu farei.
Ingrid jogou um papel sobre a minha mesa, que imediatamente reconheci como um exame de gravidez. Eu identificava um daqueles em qualquer lugar, já que por muito tempo dormi e acordei com um na minha frente.
Eu poderia me surpreender... E talvez até deveria. Mas minha única atitude foi a de dobrar o papel e direcionar a ela:
- Isto não me diz respeito.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I