Estar novamente numa Ferrari com Jorel não me trazia boas lembranças. Embora eu ainda estivesse viva, fora um susto a última carona que peguei com ele.
- Você... Bebeu? – Me ouvi perguntando, apreensiva.
- Não... Claro que não! – riu – Não cometerei o mesmo erro novamente, não se preocupe.
Lembrei que Gabe havia comentado que o irmão era um bêbado viciado em jogos e eu não era idiota para saber que qualquer tipo de vício não se largava do dia para a noite. Ainda assim, caso Jorel bebesse na boate, eu não voltaria com ele.
Eu não era uma pessoa que se vestia mal. Mas sempre fui muito adepta de cores. Exceto pelo meu vestido de noiva, que foi realmente para demonstrar artisticamente meu estado emocional “roxo”, eu costumava ter noção do que ficava ou não bem em mim. A escolha do vestido rosa pink de tules não foi aleatória, até porque rosa era uma das minhas cores favoritas, além do laranja e amarelo. E eu sabia que a Babilônia era o tipo de lugar onde só iam pessoas financeiramente estáveis, para não dizer “podres de ricas”.
Logo que fui morar com meu pai, éramos “bem de vida” e tínhamos alguns luxos como viagens internacionais nas férias (embora nada tenha sido em hotéis cinco estrelas ou resorts suntuosos); todas estudávamos em escolas privadas caras e ainda fazíamos cursos e atividades extracurriculares nas horas vagas. Com o tempo as coisas começaram a diminuir, embora não a ponto de acabarem. Nunca me dei em conta que meu pai pudesse estar falindo, já que ele e Rose sempre tentaram manter um padrão de vida, mesmo que fosse de aparências. Era mais ou menos como comermos em família camarão e estarmos no meio de pessoas que só comiam caviar.
Para meu azar quando finalmente tive idade para poder ir na Babilônia, a nossa situação financeira já não era das melhores. Porém se um dia eu quisesse ir até lá com amigos, por exemplo, papai jamais diria “não vá porque não temos dinheiro para bancar”... A explicação seria “A Babilônia? Não, não irá para aquele lugar, Coração, pois é uma menina ainda e prezo muito pela sua decência”.
Todo mundo em Noriah Norte sabia que a Babilônia não era um clube onde mulheres dançavam nuas e sim uma boate que proporcionava shows, incluindo pole dance com artistas seminuas. Havia quem dizia que era um ótimo lugar para arranjar um bom partido. E também os que juravam que só era frequentado por piranhas interesseiras que queriam encontrar um homem para sustentá-las.
Enfim... Não me passava pela cabeça que Jorel Clifford pudesse frequentar outro lugar a não ser a Babilônia.
- Sobre o que você disse... A respeito de Gabe tê-lo mandado me procurar para que pudéssemos ter uma nova chance... Poderia me explicar melhor sobre isto?

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