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A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I romance Capítulo 1

- É claro que precisamos conversar, doutor! – não contive a ironia – Como está minha esposa?

Eu detestava esperar por qualquer coisa na vida. E aquela foi uma das esperas mais tensas que tive nos últimos tempos.

- Deve saber que sua esposa tem diabetes tipo 1.

- Claro que sei. – Ela fazia questão de dizer aquilo o tempo todo.

- A diabetes mellitus é uma doença causada por problemas na produção ou na absorção de insulina, um tipo de hormônio produzido pelo pâncreas que ajuda o corpo nos processos de quebra da glicose para permitir que tenhamos energia para manter o organismo funcionando. Segundo a senhora Clifford, ela descobriu a doença aos 10 anos de idade e faz o tratamento de forma adequada.

- Eu sou dono de da maior empresa farmacêutica do mundo, doutor. Tenho duas faculdades e sei muito bem o que significa a diabetes mellitus.

- Então entende que sua esposa desfaleceu porque teve hipoglicemia, provavelmente causada por pular refeições, ter comido menos que o necessário ou ter tomado seus medicamentos de forma incorreta.

Engoli em seco. Sim, eu quis que Olívia sofresse, inclusive com falta de comida. Desejei que ela passasse fome. Mas em momento algum associei aquela porra toda com a diabetes dela. Não me passou pela cabeça que ela fosse tão doente a ponto de parar no hospital por não comer.

- Eu... Não consigo cuidar da rotina da minha esposa o tempo inteiro. Sou um homem ocupado, como deve saber.

- A senhora Clifford precisa seguir o acompanhamento médico regularmente.

- E por que o doutor acha que ela não o faz?

- Talvez ela não tenha medido a glicemia o suficiente. Ou simplesmente esqueceu de se alimentar. Ainda assim, caso ocorra um novo pico de hipoglicemia com desmaio, o senhor deverá virar a cabeça dela de lado e protegê-la com todo cuidado. Receitarei o Glucagon para casos de emergência.

- Glucagon? – espantei-me – Ele não é indicado somente quando a hipoglicemia é grave a ponto de a pessoa não conseguir ingerir alimentos?

O doutor me encarou:

- Me parece que ela não está ingerindo alimentos, senhor Clifford. Neste caso, indico o Glucagon e sugiro que ela visite o médico que a trata. O nível de glicose de sua esposa baixou de 70 mg/dl e pelo visto o senhor não conseguiu perceber os sintomas a tempo. Sabe onde aplicar o Glucagon, caso necessário?

- Nos mesmos locais da insulina. – Me ouvi dizendo.

Embora eu não fosse um expert em diabetes, era dono de uma indústria farmacêutica, o que me fazia estudar muito não só sobre o gerenciamento e a administração da minha empresa, mas também sobre boa parte dos medicamentos que eu vendia. Me dedicava tanto àquilo que inclusive tinha tirado do mercado a insulina que Olívia utilizava anteriormente, a fim de prejudicar a sua família, tendo que descobrir uma substituta à altura, cujo preço de mercado era bem mais alto.

- Exatamente. Usará o Glucagon em caso de emergência. Talvez seja necessário lembrar sua esposa da importância de fazer as refeições de forma regular, não pulando nenhuma delas ou diminuindo a quantidade de alimentos ingeridos.

- Eu... Cuidarei disto, doutor. – Lembrei-me do olhar dela perdido e confuso na cama enquanto eu lhe dizia aquelas atrocidades.

Ela me deu uma bofetada, então certamente assimilou algumas coisas do que eu disse.

- Eu li algo sobre... As pessoas com diabetes tipo 1 terem uma expectativa de vida menor do que outras pessoas... – mencionei.

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