O olhar de Carla passou por uma leve ondulação.
Ela ergueu a mão... e afastou o rosto dele.
"Você pode voltar."
Mesmo sendo afastado, Sílvio não se irritou; apenas deixou o sorriso esvair-se pouco a pouco, e o olhar tornou-se mais profundo e sério:
"Se esse experimento der certo, se eu sobreviver... ainda terei uma chance de esperar que você olhe para mim de novo?"
Os olhos dele fixaram-se nela, não deixando escapar nenhuma mudança mínima em seu rosto.
Carla não respondeu de imediato.
A mão que repousava sobre o joelho tocou inconscientemente o papel dobrado no bolso; as bordas rígidas pressionavam a ponta de seus dedos.
Depois de um bom tempo, ela virou-se devagar, com o olhar pousando sobre o rosto de Sílvio.
"Sílvio, o que estamos discutindo agora é sobre sua vida ou morte. Sobreviver é o mais importante."
Ela não respondeu diretamente à pergunta dele, tampouco fez qualquer promessa.
Mas aquele "sobreviver", para Sílvio, trouxe uma onda de esperança.
Ela queria que ele sobrevivesse.
Não importava se era pelo experimento ou por outro motivo, pelo menos ela não cortou todos os laços dele com palavras frias como antes.
Para ele, isso já era como um fio de luz na escuridão.
Sílvio curvou levemente os lábios num sorriso: "Carla, se você deseja que eu viva, farei todo o possível..."
"Já está tarde."
Carla o interrompeu, "Você precisa descansar. Antes do experimento, tem que estar no melhor estado possível."
Mesmo sabendo que era um convite para se retirar, Sílvio ainda assim se sentia bem.
"Entendi. Você também deveria descansar cedo."
Levantou-se e, ao chegar à porta, não resistiu e parou, lançando um olhar profundo para ela.
Carla já não o olhava mais; seu perfil à luz da luminária parecia um pouco cansado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Diva Da Ciência: Do Divórcio À Ascensão Estelar