O corpo inteiro ficou rígido, os olhos arregalados tentando enxergar além da escuridão à frente.
Por alguns segundos nada aconteceu, então dois pontos de luz surgiram na sombra. Olhos azuis, brilhantes e grandes demais.
O coração dela disparou imediatamente.
A figura colossal se moveu devagar para frente, saindo da escuridão como uma montanha viva. A luz fraca revelou a silhueta de Taurus, ainda enorme mesmo na forma parcialmente humana, os músculos largos cobertos por cicatrizes antigas que pareciam contar histórias de guerras esquecidas.
A presença dele ocupava a caverna inteira.
Amélia engoliu em seco.
“Quem… é você?”
A voz invadiu a mente dela novamente, pesada, profunda, impossível de ignorar.
Ela puxou o ar com força, tentando controlar o tremor no corpo.
— Eu… — começou, hesitando por um segundo. — Eu sou Amélia.
Os olhos azuis se estreitaram.
— Sou irmã da Liana.
O silêncio que se seguiu foi tão pesado que pareceu esmagar o ar, Amélia continuou rápido, desesperada.
— Posso ajudar você a encontrá-la.
Taurus inclinou a cabeça lentamente, o cheiro dela realmente não era como o cheiro da bruxa, e ele já havia notado aquilo, a aura também.
A criatura avançou mais um passo.
Amélia sentiu o coração quase sair pela garganta.
Então a risada surgiu novamente dentro da mente dela.
“Uma mentirosa.”
A palavra ecoou como trovão.
“Você merece morrer.”
O corpo dela gelou mas a voz continuou.
“Mas não agora.”
Taurus se aproximou mais, a sombra gigantesca cobrindo completamente o corpo dela.
“Eu vou matar você… depois.”
Os olhos azuis brilharam ainda mais.
“Depois que eu encontrar a verdadeira bruxa do oeste.”
***
Na Redpaw, o silêncio dentro do quarto do hospital era muito diferente da escuridão da caverna.
Ali havia calor, luz e uma respiração tranquila, como se o perigo não pudesse chegar ali, o que não era verdade.
Kian finalmente dormia nos braços de Liana, o corpo pequeno aninhado contra o peito dela como se tivesse encontrado o único lugar seguro do mundo. As lágrimas secas ainda marcavam o rosto do menino, mas agora o sono tinha vencido o medo, e os dedos dele seguravam a blusa dela como se não quisessem soltá-la nem em sonho.
Liana o observava em silêncio, acariciando os cabelos escuros com cuidado para não acordá-lo.
Anton estava sentado ao lado da cama, o corpo relaxado apenas na aparência. Por dentro, cada músculo ainda estava tenso como corda prestes a arrebentar.
Elariel, o lobo dele, estava inquieto.
“Muito perto…”
Anton ignorou o comentário.
Liana finalmente ergueu o olhar.
— Obrigada — disse suavemente.
Anton franziu levemente o cenho.
— Por quê?
Ela olhou para Kian.
— Por trazer ele.
O silêncio se estendeu por alguns segundos, então ela respirou fundo.


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