“Lucas Sinclair”
As palavras de Blair fazem um silêncio desconfortável se instalar no quarto, e Ivy empalidece instantaneamente.
Os olhos arregalam, os lábios se entreabrem, mas nenhum som sai.
Ela parece… destruída.
E algo dentro de mim se contorce com tanta força que preciso apertar os punhos para não reagir imediatamente.
Odeio vê-la assim. Tão pequena.
— Sra. Sinclair, eu…
— Não vou ouvir justificativas — Blair interrompe, levantando a mão. — Meu filho estava sob sua responsabilidade, e olha o que…
— Chega! — interrompo, finalmente dando um passo à frente. — Blair, ele tem quatro anos. Crianças caem e se machucam. Isso não é culpa de ninguém.
— Não vê que ela foi negligente? — Blair rebate, me encarando.
— Ela não foi negligente. A Srta. Collins agiu rápido — respondo, mantendo a voz baixa para não assustar Oliver. — Trouxe Oliver para o hospital, me ligou imediatamente, ficou aqui o tempo inteiro. Ela fez tudo certo.
— Não quero saber, Lucas. Ela vai embora!
— Não — Oliver murmura, ainda grogue da anestesia, piscando devagar. — A Ivy não pode ir embora. Não pode!
Ivy se vira imediatamente para ele, limpando o rosto rapidamente antes de se aproximar.
— Calma, astronauta — diz, forçando um sorriso. — Não vou a lugar nenhum.
Blair bufa, cruzando os braços.
— Ivy — chamo, baixo. — Pode ficar com o Oliver por um minuto? Preciso falar com a Blair. Lá fora.
Ivy hesita, mas assente, voltando a atenção para Oliver, que já está fechando os olhos novamente.
Seguro o braço de Blair e a puxo para fora do quarto antes que ela possa protestar.
Assim que fecho a porta, solto o braço dela e cruzo os meus.
— Que porra você pensa que está fazendo? — pergunto, controlando o tom para não gritar.
Ela ri, sem humor, e puxa o celular do bolso.
— Eu? Olha essa palhaçada! — diz, virando a tela para mim.
Olho para a tela e encontro uma foto minha com Ivy no corredor do hospital. Eu a abraço enquanto ela chora contra o meu peito.
A imagem não deixa espaço para interpretação.
Parece exatamente o que é: íntima.
— Alguém viu essa cena patética, te reconheceu e tirou a foto — Blair continua, insatisfeita. — E agora ela está na internet, para todo mundo ver.
Passo a mão pelos cabelos e respiro fundo, sentindo a irritação me atingir.
Ela se vira para sair, mas não consigo simplesmente deixá-la ir.
— Você não vai nem entrar para ver como o Oliver está? — pergunto, baixo. — Nem vai fingir que se importa com o próprio filho?
Blair se vira completamente, dando passos rápidos na minha direção até parar bem perto.
— Fala baixo — sibila, olhando ao redor para se certificar de que ninguém ouviu. — Você sabe que eu me importo com o Oliver, apesar de nunca ter querido esse filho. Me importo, e você sabe disso.
— Se importar não é presente e viagem, Blair. É…
— Já sei esse discurso de cor e salteado, Lucas — ela interrompe, revirando os olhos. — Estarei em casa esperando vocês. Odeio hospitais e não vou ficar aqui sabendo que o Oliver está bem.
Ela se afasta sem esperar resposta, enquanto continuo parado, observando-a ir embora.
Não é a frieza dela que me paralisa. Já estou acostumado com essa indiferença desde a gravidez que ela nunca quis.
O que me deixa imóvel é outra coisa.
É a possibilidade de ceder. De demitir a Ivy.
Não porque eu queira mantê-la longe, mas porque mantê-la perto está ficando cada vez mais complicado.
Para mim, que sei exatamente o que isso é: desejo, atração física. Nada além disso.
E para Ivy, que já carrega problemas demais para ter que lidar também comigo.

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