Entrar Via

A babá é a mais nova obsessão do CEO romance Capítulo 50

Depois vestir meu uniforme, que coube perfeitamente, fui exercer a função para qual eu estava sendo paga: cuidar de Davi Asheton.

Pietra me encaminhou para a sala de brinquedos e assim que cheguei no corredor, deparei-me com Shirley saindo pela porta, com Enzo aparecendo logo atrás dela.

Nossos olhares se encontraram brevemente e ele desviou.

— Obrigada por tudo, senhor Asheton. — a voz de Shirley era melosa, quase como o de uma gata no cio. Gatas no cio não falavam. Mas isso era só um detalhe.

— Enzo — ele sorriu para ela — Pode me chamar de Enzo. Nos veremos diariamente. Não há motivos para tanta formalidade. — o olhar foi para mim.

— Pode me chamar de Shirley também. Ou qualquer outro nome que quiser — riu — apelidos também são bem-vindos. Eu já mencionei que trabalhei como modelo?

Antes que eu pudesse ouvir a resposta dele, Davi surgiu no corredor. E quando vi o sorriso dele, pouco me importei com o que Enzo diria. O menino era uma cópia do pai. Mas aquele sorriso era a coisa mais sincera que já vi na vida.

Ele correu na minha direção e abri os braços, recebendo-o junto de mim:

— Você quer conhecer o meu quarto, bebê?

— Bebê? — fiquei surpresa. Só Will me chamava daquela forma.

— Sim... é o apelido carinhoso que seu pai e seu irmão lhe deram — lembrou — posso chamá-la assim também? Eu gosto de você.

Antes que eu respondesse, Enzo cortou:

— Não, Davi. Você a chamará pelo nome... se a senhorita Lorenz autorizar, claro. — cruzou os braços, esperando pela minha resposta.

— Eu... sou a sua babá. Então... eu não acho que me chamar de “bebê” seria apropriado. Até porque você é o bebê aqui — pisquei um olho e apertei o nariz dele, que sorriu — Que tal Maria? Ou Fernanda? Maria Fernanda realmente é um nome longo.

Davi ignorou e disse, empolgado:

— Quer conhecer o meu quarto? — segurou a minha mão.

— Eu... adoraria.

Acompanhei Davi, empolgada para conhecer onde ele dormia. Eu não me importava com o que Enzo faria com Shirley. Afinal, já tínhamos terminado o nosso relacionamento mesmo. E duas vezes naquele mesmo dia.

O quarto do Davi era claro, arejado e acolhedor. As paredes em tons suaves tinham desenhos discretos de estrelas e planetas, criando a sensação de um espaço tranquilo, pensado para uma criança curiosa e feliz.

A cama baixa, com lençóis macios e algumas almofadas espalhadas, dava a sensação de noites bem dormidas e manhãs preguiçosas. No centro, um tapete grande servia de palco para brincadeiras longas, onde carrinhos, livros e peças de montar conviviam em uma bagunça organizada.

Perto da janela, uma pequena escrivaninha guardava desenhos coloridos e lápis usados até o fim. Muitos mostravam figuras humanas de mãos dadas, traçadas com cuidado surpreendente para um menino de seis anos.

Era um quarto que refletia exatamente quem Davi era: um menino doce, gentil e inteligente, cercado de afeto.

Ele foi até a escrivaninha e pegou algumas folhas com desenhos. Me entregou, sorridente:

— Eu desenhei você — apontou para a figura feminina que pegava sua mão, tendo ao centro o que imaginei que fosse ele e do outro lado, o pai. Os olhos azuis denunciavam Enzo. E... éramos os três juntos, como se fôssemos uma família.

Eu tive vontade de chorar. E os motivos eram vários: a carência de Davi por afeto materno. O fato de que talvez, se soubesse, ele futuramente desenhasse o irmãozinho em algum lugar naquela imagem. E o quanto o destino estava sendo filho da puta comigo, por fazer com que eu me apaixonasse pelo pai e pelo filho à primeira vista.

Mas eu não chorei. Respirei fundo e ri:

— Eu estou segurando uma batata frita em todos os desenhos?

— Felicidade em forma de batata frita. — piscou um olhinho, desajeitadamente — Você pode me dar uma batata frita? — sussurrou, como se dizer aquilo fosse algo proibido.

— O seu pai me mataria.

— Papai não mata. Só o tio Zadock. Papai disse que ele sim mata.

Senti um frio percorrer a minha espinha. Aquilo era coisa de se dizer para uma criança?

— Então... não dá para apagar?

— Infelizmente não.

— A minha vai dar para você apagar se tomar banho e esfregar muito com sabonete. — explicou, como um bom profissional — corações são amor, não é mesmo?

— Eu... creio que sim.

— Por que você fez um amor no seu dedo?

— Bem... eu gostava de um rapaz. Ele era meu melhor amigo. Quando éramos crianças, brincávamos de nos casar com anéis de papel. Então, quando ficamos adolescentes, decidimos fazer um coração no dedo como se fosse um anel... uma promessa... de que no futuro nos casaríamos de verdade.

— Ele também prometeu? — levantou os olhos na minha direção, curioso.

— Sim. Ele prometeu. Mas não cumpriu.

— Não? Por quê?

— Ele vai se casar com outra pessoa.

— Você ficou chateada?

— Não. Eu não gosto mais dele.

— De quem você gosta agora?

— Hum... no momento eu gosto de um garotinho com cabelos castanhos escuros... e que está fazendo uma tatuagem no meu dedo.

Ele sorriu. Terminou o meu e depois fez um no próprio dedo anelar. Engoli em seco, sentindo meu coração acelerar. Já tinha ultrapassado o nível de paixão o que eu sentia por aquele garoto. Deu vontade de botar ele num potinho e levar para casa. O pai poderia ocupar outro potinho. Que eu deixaria meio no caminho, claro.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO