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A babá é a mais nova obsessão do CEO romance Capítulo 49

— Sobre a carona de ontem: eu só tentei ser gentil com você. Não veja isso de outra forma, senhorita Lorenz.

Ele estava mesmo falando aquilo? O beijo e a forma como se esfregou em mim também tinha sido uma gentileza?

Engoli meu orgulho e aceitei a humilhação. Eu precisava do emprego.

— Eu... agradeço muito a gentileza, senhor Asheton. E... obrigada por me ajudar quando eu passei mal no banheiro, naquele encontro casual que tivemos na boate. — se ele era louco, eu agiria da mesma forma — me desculpe... por qualquer transtorno que eu tenha causado. E sinto muito se, em algum momento, não me fiz entender bem sobre o quanto prezo esse emprego. Também prometo que não se arrependerá de ter me contratado, porque eu sei que posso cuidar do Davi e ajudá-lo no que for preciso. Sei ser profissional. E, se me der uma chance, eu gostaria de provar isso.

Enzo respirou fundo e me encarou:

— Siga as regras, Maria Fernanda. Não tolerarei mais mentiras e exposições públicas como o seu chupão. Peço seriedade com relação ao emprego que lhe dei e o cargo que ocupará nessa casa, que é de extrema confiança.

— Eu fui imatura. — abaixei a cabeça e falei o que realmente eu pensava — E não farei isso novamente.

Eu não faria mesmo. Eu não estava em posição de causar ciúmes nele ou brincar de ter qualquer tipo de poder sobre Enzo. Eu era uma simples babá e o fato de ele ter transado comigo não significou nada. Ao menos não para ele. E se eu continuasse aceitando aquilo, de ele me tocar, estaria aceitando minha própria humilhação e desvalorização.

Pelo visto eu não tinha sorte no amor. E era hora de aceitar aquilo. Eu precisava começar a ser alguém que se priorizava. Eu tinha um filho que em breve estaria na minha vida e precisaria de uma mãe responsável e estabilizada financeiramente, para lhe dar o mínimo de conforto.

Enzo abriu a porta e não tinha mais ninguém ali. Nem Davi, nem Shirley e nem Pietra.

Mordi o lábio, incerta do que deveria fazer e não querendo perguntar-lhe. Entendi que nossa conversa estava encerrada.

— Me acompanhe, por favor. — ele falou, sem entusiasmo.

Segui Enzo, tentando não observar demais a casa internamente, tampouco a mobília. E implorei a mim mesma para não ficar tão maravilhada. Jamais na vida imaginei ver uma casa daquele tipo.

Levamos exatos 12 minutos e oito segundos para chegar do outro lado da casa. Não tive dúvida de que era a ala dos funcionários. Era simples, mas confortável. E o lugar era bem limpo.

Shirley e Pietra conversavam no final do corredor. Quando viram Enzo endireitaram a postura e ficaram sérias. Para mim não havia dúvidas de que se conheciam de algum lugar.

— As regras são simples. As babás ficarão hospedadas aqui, na ala dos funcionários, no primeiro andar. Os quartos são individuais, com banheiros privativos. Essa área é de livre circulação. — Enzo falou como quem estabelecia um contrato invisível e exigia que fosse cumprido.

Ele caminhou alguns passos, devagar:

— Vocês têm total permissão para acessar a casa inteira acompanhadas de Davi. Jardim, piscina, salas comuns, área externa. — Olhou para mim e depois para Shirley. — Meu filho não deve se sentir limitado dentro da própria casa.

Respirou fundo:

— A única exceção são os meus aposentos pessoais e meus escritórios. São áreas restritas. — o tom foi firme o suficiente para eu jamais ousar invadir aqueles espaços. — Nenhuma babá entra nesses espaços. Nem sozinha, nem acompanhada, nem “por engano”. Não há ressalva.

Tanto eu quanto Shirley assentimos em silêncio.

— Sobre o Davi: ele é uma criança ativa, curiosa e inteligente. — percebi o orgulho dele ao falar do filho. — Não gosto de gritos. Não existe nenhum tipo de castigo físico nessa casa. E não admito qualquer forma de intimidação com o meu filho.

Olhou-me de soslaio, como se eu fosse agir daquela forma em algum momento.

— Repassei algumas coisas importantes com a senhorita Lorenz antes, na antessala. E gostaria de fazer o mesmo com você.

Engoli em seco. Estava tudo terminado entre nós agora, definitivamente. Não tinha mais volta. Nem se Enzo implorasse, de joelhos. Jamais reataríamos. Aquela porra doía demais.

Ele virou as costas e se foi, sem olhar para trás.

Depois das regras, fomos encaminhadas por Pietra para um corredor lateral. Ela abriu uma porta discreta e, dentro, havia dois cabides alinhados, com os uniformes.

Para minha surpresa e tranquilidade não era nada provocante. Nem moderno. Também não era pensado para chamar a atenção. Era... tradicional. Um vestido azul-marinho, com o comprimento logo abaixo do joelho. As mangas eram curtas, a gola simples e o tecido firme. O avental branco era dobrado com precisão, quase simbólico. Sapato fechado, preto, sem salto. Parecia coisa de outro tempo. Tempo passado. Mas eu estava satisfeita.

Pelo menos não era uma fantasia de babá sexy.

— Isso é... horrível — Shirley fez cara de nojo.

Na minha opinião a roupa não deixava espaço para mal-entendidos. Não prometia nada além do que era: cuidar, estar presente, ser a adulta nas interações com Davi. Era para aquilo que estávamos ali... sermos babás. Se eu imaginei outra coisa, foi ingenuidade a minha.

— Também falei isso, mas o senhor Enzo não quis me ouvir. — Pietra disse, olhando para o uniforme com desprezo.

— É... um uniforme de babá. O que você esperava? — olhei para Shirley.

— Ele é adequado para você, não para mim. — ela me encarou — Mas não se preocupe. Em breve eu estarei vestida como eu quiser. E estarei lhe dando ordens, como madrasta de Davi e esposa de Enzo. — piscou um olho, sarcástica — Agora vou lá, pois Enzo já me chamou em particular. E o que eu mais sei fazer na vida é aproveitar oportunidades. Tudo é questão de estratégia.

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