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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 97

— Você e o Vicente não passam de parceiras, Margarida. Ele finge ser seu marido só para te dar o respaldo de sair da família Carvalho, protege você dos ataques da Leonor. E você faz o papel de esposa, segura as pontas para o Vicente com a família Almeida, mantém os oportunistas longe e ainda garante que mulher nenhuma grude nele. — Disse Augusto, calmamente.

No fundo, o que deixava Augusto cada vez mais descontrolado não era o casamento em si, mas o fato de ver Margarida disposta a atravessar qualquer limite só para romper de vez com ele.

Porém, naquele momento, algo em Augusto finalmente cedeu.

— Margarida, entendo se você quiser sair um pouco para esfriar a cabeça. Não vou te pressionar nem prender, porque não quero te sufocar mais. Mas entenda uma coisa, isso não acabou. — A voz dele saiu baixa, mas tinha um tom definitivo, como se sentenciasse o próprio futuro de Margarida. — Esse teatrinho de casamento falso com o Vicente pode durar um tempo, mas vai acabar, sim. E quando acabar, você vai voltar para mim.

Augusto ajustou os óculos dourados no rosto e, naquele instante, a postura parecia cheia de paciência, quase como se prometesse esperar para sempre.

O rosto de Margarida fechou; ela sequer conseguiu segurar o gesto de raiva enquanto respondia, com a voz subindo involuntariamente:

— Chega, Augusto! Para de inventar teoria porque não aceita que perdeu. Essa história de casamento de fachada existe só na sua cabeça! O Vicente me faz bem, é com ele que quero ficar, é escolha minha, não acordo.

— Pode repetir isso para mim o quanto quiser. Só não tenta se enganar, Margarida. — Augusto balançou a cabeça, encarando-a, agora com ar de pena. — O Vicente não é para você. Você só acha que conhece, mas do que realmente importa ele não pode te dar nada.

— Engraçado você falar isso, Augusto. Se esse discurso serve para alguém, é justamente para você.

Sem mais perder tempo, Margarida puxou o zíper da mala e desceu direto, decidida a não prolongar a conversa nem se dar ao trabalho de um último olhar. Sabia que qualquer coisa a mais podia desmontar toda a coragem construída para ir embora.

Dessa vez, Augusto não a barrou. Só foi até a janela e a seguiu com os olhos até ver sua silhueta sumir na rua escura, enquanto a luz da lua invadia o quarto e o ar ficava ainda mais frio e vazio atrás dele.

Naquele momento, o celular vibrou.

— Ah, fala sério, achei que era tragédia, mas sua preocupação é só porque o Augusto sabia que esse casamento aí com Vicente não passa de encenação? Escuta, amiga, já que vocês estão juntos no papel, por que não facilitam e transformam a encenação em verdade logo? Resolve tudo rapidinho, ninguém mais sofre.

A verdade é que, para Teresa, Margarida e Vicente já deveriam estar juntos de verdade fazia tempo, e seria mais prático para todo mundo.

Margarida só conseguiu esfregar a testa, sentindo-se exausta de tanto absurdo.

— Teresa, tirando esse seu espírito de torcida, você acompanha mais alguma fofoca menos apimentada?

— É claro que sim! — Respondeu Teresa, animada, já com brilho nos olhos. — Só que hoje, amiga, a fofoca que tenho para contar supera qualquer escândalo do dia!

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