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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 95

Margarida olhou novamente para Augusto, dessa vez com uma surpresa misturada a um certo cansaço; sinceramente, não esperava ouvir daquele homem um tipo de cobrança tão desconectada da realidade deles.

Interrompendo a arrumação da bagagem, ela o encarou com firmeza, sem permitir qualquer mal-entendido.

— Augusto, você tem certeza do que está dizendo? Por que eu teria medo de te encarar? Acha que te devo alguma explicação e, mais importante, será que fiz alguma coisa de errado com você?

— Fez sim. Você traiu o que sentia por mim, quebrou a promessa de nunca me deixar sozinho. — Retrucou ele, tirando os óculos do rosto numa tentativa de manter a compostura, sem conseguir esconder o olhar cada vez mais desesperado.

O que Margarida não sabia era que, após ela e Vicente saírem, Leonor tinha sido levada pelos seguranças da família Almeida, desesperada, mordendo, berrando, tentando evitar a todo custo que a levassem para casa.

No salão, Carlos e Luísa ainda tentavam intervir e evitar um escândalo maior.

Augusto sabia que deveria ter ficado por lá, mas preferiu voltar sozinho, certo de que Margarida também acabaria voltando.

Ela voltou, mas estava pronta para dizer adeus de vez.

Incapaz de se conter, ele cerrou os punhos até branquear os nós dos dedos, tentando puxar da voz algum traço de indignação para não parecer patético:

— Agora que achou outro homem, não vê a hora de ir embora, nem pensa duas vezes em virar as costas para mim. E ainda tem coragem de dizer que isso é justo comigo?

Margarida soltou um risinho de quem não acreditava no absurdo do que estava ouvindo, o deboche ficou estampado.

— Margarida, só te peço, espera por mim. Não vai embora. E, por favor, não se envolva com o Vicente. Só me ouve, por favor! — Ele implorou, encolhendo todo o orgulho, só querendo voltar ao tempo em que podia tê-la por perto como se nada tivesse mudado.

Ela não era quem dizia que ele era sua luz? Como ela podia ir embora desse jeito?

Diante daquele apelo, Augusto não pensou duas vezes e avançou, querendo agarrar Margarida num último abraço de desespero.

Mas ela se esquivou com firmeza e o empurrou para longe.

— Sabe, Augusto, cheguei à conclusão de que meu maior erro foi te mimar a vida inteira. — Disparou Margarida, sem a menor intenção de se desculpar. — Você ficou tão acostumado a esse amor que agora acha que eu tinha obrigação de ficar parada, te esperando, como se fosse um cachorrinho submisso, leal, que aguenta qualquer coisa só porque o dono acha que tem esse direito sobre ele.

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