Leonor sempre teve uma vida de princesa. Cresceu sem limites, acostumada a falar o que bem queria, sem nunca ouvir um "não" na vida.
Mas, naquele momento, foi alvo de uma sequência de indiretas de Margarida, cada "fofoqueira" parecia um tapa em seu rosto, mesmo que seu nome sequer fosse citado.
Incapaz de aguentar esse tipo de humilhação, ela explodiu e soltou o que estava entalado, partindo para cima de Margarida com um grito de pura raiva.
— Margarida, chega! Fica soltando essas indiretas, mas todo mundo entendeu que você quer dizer que minha mãe nunca tratou bem o Vicente. Mas quem disse que madrasta é obrigada a cuidar bem do filho dos outros? Minha mãe nunca gostou do Vicente mesmo, sempre foi assim! Qual o problema nisso, hein?
— Não vejo problema nenhum, não. — Margarida respondeu com um tom tranquilo. — Dona Marina tem total liberdade para gostar de quem quiser.
E, para ser sincera, ela até agradecia ela ter criado Leonor desse jeito, sem papas na língua. Porque, sem a impulsividade dela, seria quase impossível trazer à tona o teatro de "boa madrasta" que Marina fazia questão de montar.
Margarida lançou um olhar quase divertido para Marina e continuou, sem perder a compostura:
— Dona Marina, se a senhora nunca suportou o Vicente, por que não falou logo com o Sr. Guilherme? Assim poupava todo esse esforço de fingir ser a boazinha, enquanto por trás só atrapalhava a vida do Vicente. Deve ser cansativo fingir tanto, né? E o pior é ver o Vicente, desde criança, sendo obrigado a lidar com tanto fingimento e falsidade nessa família. Dá até dó.
Ao dizer isso, Margarida lançou a Vicente um olhar piedoso, como se carregasse cada mágoa dele, como se fosse sua.
Vicente, porém, respondeu num tom calmo, olhando docemente de volta:
— Não se preocupa, eu sempre soube que nada ofusca tanto quanto o próprio ser humano... nem o sol.
E foi só então que Leonor pareceu perceber que tinha acabado sendo usada por Margarida.
Ao notar o olhar furioso da mãe, com a expressão gelada de Guilherme, Leonor ficou pálida, sentindo o corpo tremer. O choque e a humilhação tomaram conta dela.
Augusto rapidamente a segurou pela cintura para evitar que caísse e, com um olhar sombrio, se voltou para Vicente.
— Sr. Vicente, mesmo que você não reconheça Leonor como irmã, ela sempre foi direta, nunca foi de dissimulações. Se aproveitar disso para prejudicar uma mulher, não seria um pouco cruel demais? Cadê o seu caráter?
— Prejudicar mulher?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Amante que Virou Cunhada