Entrar Via

A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 74

— Casa nova...? — Margarida gaguejou de novo assim que Vicente terminou de falar.

Vicente apenas sorriu, daquele jeito paciente, e assentiu com a cabeça.

— Isso mesmo. Nunca gostei de morar na casa da família Almeida. Por causa do que vivi na infância, sempre odiei lugares frios e silenciosos demais. Era por isso que vivia me hospedando no Hotel Luar. Mas agora... somos uma família. E toda família merece um lar de verdade, não acha?

— Comprei um apartamento ótimo e, desde então, tenho me dedicado totalmente à obra e à decoração, só para terminar logo e poder te levar para lá. — Continuou ele, sem tirar os olhos dela. — Sei que toda mulher gosta de deixar o cantinho com a sua cara, então o restante da decoração vai ser por sua conta. Pode escolher cada detalhe, do seu jeito. O time de reforma vai seguir tudo o que você quiser, nem se preocupa com opinião de mais ninguém.

— Só tem uma coisa muito especial. — Vicente abriu um sorriso carinhoso. — Reservei um espaço só para você trabalhar. Eu sei o quanto você ama escultura. Por isso mandei preparar o ateliê com todas as ferramentas, argilas de várias marcas e ainda um espaço só para secagem das peças, com controle certinho de temperatura e umidade. Tudo pensado para você criar à vontade e sem ninguém te atrapalhar.

A verdade era que agora, ali, Margarida podia trabalhar o quanto quisesse. Ninguém mais teria o direito de dizer que ela não produzia nada próprio.

Por alguns segundos ela ficou só olhando, espantada. Demorou para reagir, até perguntar bem baixinho, ainda meio reticente:

— Você... não vai se importar com a bagunça que faço modelando? Vai achar ruim se eu sujar tudo, deixar o apartamento doido?

Na família Carvalho, Augusto implicava até com poeira. Sempre dizia que menina de respeito não devia mexer com arte nem se expor.

Vicente largou a xícara, olhou direto nos olhos dela, com uma firmeza que não deixava espaço para dúvida.

— Não precisa, fica tranquila. Essa parte inicial deixa comigo. — Vicente envolveu os dedos dela com os seus, num gesto carinhoso, a voz tão baixa que parecia feita só para ela. — Só se concentra na coletiva, Marga. Vai lá fazer bonito. Estarei aqui, só esperando para ver você dar show.

…

Naquela noite, até o vento frio lá fora parecia ter se aquietado. A luz da lua escorria suave pelos galhos, tudo ao redor parecendo suspenso, à espera do que estava por vir.

Depois disso, foi uma correria só até o grande dia da coletiva. Mais de uma semana de preparativos intensos e, finalmente, Augusto tinha conseguido armar um evento digno do nome de Margarida.

De manhã cedo, Luísa, Carlos e o próprio Augusto já estavam impecáveis, depois de horas de produção com a equipe de beleza. Foram os primeiros a chegar ao salão de festas do Hotel Luar. Só que, dessa vez, ao contrário da festa do aniversário da Leonor, Margarida era a única ali que não contava com estilista, nem penteado especial, nem produção alguma. Estava ali para se "confessar" e todos, ao redor, faziam questão de frisar isso com cada detalhe.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Amante que Virou Cunhada