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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 23

— Srta. Teresa, você está aqui! — Exclamou de repente uma das jovens da alta sociedade, aproximando-se com passos apressados.

— Srta. Teresa, ouvi dizer que você é a grande musa do Sr. M. Parece que toda obra que você aprova se transforma em sucesso instantâneo! — Comentou outra, com os olhos faiscando de admiração.

— Srta. Teresa, fale um pouco conosco, por favor! Eu também estudo Artes. Será que tenho alguma chance? — Pediu uma terceira, esforçando-se para ser ouvida em meio ao burburinho.

A aparição súbita daquele grupo de socialites no cantinho do convés onde Margarida e Teresa conversavam parecia ter sido planejada. Todas cercaram Teresa de uma só vez, tagarelando sobre carreira e oportunidades.

Margarida logo reconheceu a mulher ruiva que liderava o grupo. Era a mesma socialite que ela tinha visto no Hotel Luar, quando havia encontrado Leonor alguns dias atrás.

A movimentação era claramente proposital. Com tantas pessoas comprimidas naquele espaço estreito perto da amurada do barco, a ruiva passou a empurrar Margarida de modo quase imperceptível, a forçando a recuar alguns passos. A cada mudança brusca, Margarida era empurrada perigosamente para mais perto das ondas agitadas que lambiam o casco.

Estava anoitecendo, e o mar escuro lá embaixo representava um risco enorme. Se alguém caísse na água, seria engolido pelas ondas em poucos instantes.

Percebendo o que estava acontecendo e sem conseguir se desvencilhar dos braços e perguntas que surgiam por todos os lados, Teresa optou por uma estratégia ousada. Ergueu a voz acima do barulho:

— Quem quiser que eu ilumine o caminho artístico, me siga agora!

Assim que a frase ecoou, Teresa saiu em disparada para o outro lado do convés. A manobra funcionou. A maioria das socialites, incluindo a ruiva, acabou seguindo Teresa, deixando Margarida em paz. Claramente contrariada, mas sem escolha, a ruiva também se retirou, desistindo de insistir naquele instante.

Margarida respirou fundo. Se a ruiva tivesse realmente tentado ir as vias de fato, ela estava pronta para revidar e não ia se deixar derrubar daquele jeito.

— Aliás, minha boa amiga estava encarregada de distrair Teresa. Se Teresa continuasse por perto, eu não poderia deixar você sozinha aqui, não é mesmo?

Só então Margarida se deu conta da armadilha. A ruiva e as outras socialites não estavam realmente tentando jogá-la ao mar, aquilo era apenas uma isca para fazer Teresa se ausentar de cena por livre e espontânea vontade. Agora que Teresa havia partido, Leonor surgiu de vez para criar confusão.

— O que você quer? — Perguntou Margarida, encarando Leonor com firmeza. — Esta é a sua festa de aniversário. Está disposta a arruinar sua própria comemoração?

Leonor soltou uma risada seca, sem dar nem um passo para trás.

— Acha mesmo que você tem poder para estragar a minha festa? — A frieza de seu olhar se intensificou, e, embora zombasse de Margarida, apertava os lábios de forma tensa, traindo seu ódio contido. — Margarida, você é só um estorvo que a sua mãe enfiou na família Carvalho. Hoje, se não fosse eu permitir, você jamais estaria neste lugar tão distinto. Mas, para minha surpresa, não só veio como ousou se vestir feito uma tentação! Parece que, enquanto me deixava à beira de um colapso nervoso, você andava bem satisfeita com a sua vida, não é?

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