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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 209

— Que isso, Sr. Vicente, o senhor chegou voando. — Margarida respondeu, com um sorriso, após perceber que era Vicente quem a apertava contra o peito.

Não estava exagerando nem um pouco. Desde que ela havia discado para Vicente até aquele momento, nem meia hora havia rolado, e ele já estava grudado ali no hospital após largar tudo na empresa e vir correndo feito um louco pela cidade. Margarida nem queria pensar em quantos sinais vermelhos ele havia atropelado no caminho.

Vicente engoliu qualquer comentário sobre a corrida insana que havia feito, mas ficou examinando Margarida centímetro por centímetro durante o que pareceu uma eternidade antes de endurecer a expressão e fixar o olhar nas marcas arroxeadas que enfeitavam o pulso dela.

— A Leonor fez essa marca quando te arrastou para o meio da rua? — Ele perguntou, com a voz pesada de uma raiva que fervia por baixo da pele.

Vicente já estava sabendo de cada detalhe do acidente através da ligação aflita que Margarida havia feito.

Desde o começo, ele havia apostado numa estratégia para descobrir quem estava comandando toda aquela campanha de perseguição por trás dos panos, por isso não havia partido para o extermínio imediato da família Neves nem da Leonor, apostando que enquanto ele estivesse, aquela cambada de lunáticos não conseguiria aprontar nada.

Mas quando soube que Leonor havia puxado Margarida para o meio do trânsito, uma enxurrada devastadora de culpa e remorso o engoliu.

Se tivesse adivinhado que a loucura chegaria àquele nível crítico, deveria ter eliminado Leonor na primeira oportunidade que surgisse.

Deveria ter apagado do mapa todas as pessoas que pudessem representar qualquer sombra de ameaça para a integridade física de Margarida.

Só que daquela vez Vicente estava redondamente enganado sobre quem era o culpado.

Margarida balançou a cabeça com força, olhando para as marcas no pulso com uma expressão confusa.

— Sr. Vicente, não foi a Leonor que deixou essas marcas... Foi o Augusto. — Ela confessou com a voz meio embargada pela surpresa que ainda não tinha conseguido digerir.

Aquela revelação bombástica explicava toda a montanha-russa emocional que Margarida vinha enfrentando desde que o acidente havia acontecido.

Vicente travou por um momento, e perguntou com a voz cortante:

Geralmente, quando uma mulher não estava carregando bebê na barriga, o útero não sofreria uma destruição tão severa num acidente desses, mas Leonor carregava as cicatrizes da adolescência turbulenta que havia vivido intensamente, quando se envolveu em atividades questionáveis durante os anos rebeldes do colégio, experiências que deixaram o sistema reprodutivo dela comprometido e frágil.

Por causa daquele passado complicado, a parede uterina de Leonor tinha a resistência de papel molhado, então a pancada violenta do carro provocou um estrago muito mais devastador do que aconteceria com uma mulher que tivesse se preservado durante a vida toda.

Felizmente, quase se despedaçar significava que ainda não havia se despedaçado por completo.

Isso garantia que Leonor não precisaria passar pela humilhação de uma histerectomia total, e depois de uma recuperação bem cuidada e supervisionada, ainda manteria a possibilidade de ser mãe.

Mesmo com aquela esperança, Leonor continuava canalizando todo o ódio para cima de Margarida.

Na mente distorcida dela, mesmo que tivesse perdido o controle e arrastado Margarida para o meio da rua, toda aquela tragédia só havia acontecido porque Margarida era uma vagabunda sem escrúpulos que havia seduzido Augusto primeiro para depois bancar a coitadinha inocente no Grupo Almeida, conquistando a simpatia de todos os funcionários e fazendo ela ficar transtornada de ciúme a ponto de tomar uma decisão tão perigosa.

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