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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 207

No escritório da presidência do Grupo Almeida, uma caneta escapou da mão de Vicente e bateu no chão com um barulhinho seco.

Marcos parou de falar no meio do relatório e ficou observando Vicente, que havia travado. Abaixou para pegar a caneta, meio sem saber o que estava acontecendo.

— Sr. Vicente, o senhor está passando mal? Deu alguma coisa? — Ele perguntou, tentando decifrar aquela reação estranha.

— Não é nada. — Vicente demorou uns bons segundos para responder, com a voz rouca.

Vicente fechou a cara e ficou meio sombrio, com as feições tensas sob a luz do sol que batia pela janela.

Segundos antes, enquanto rabiscava uns documentos de cabeça baixa, uma pontada esquisita havia atravessado seu peito feito uma facada, fazendo ele afrouxar a mão que segurava a caneta, como se o sexto sentido estivesse gritando que alguma merda estava acontecendo em algum lugar.

Vicente recuperou a caneta e perguntou:

— Está rolando alguma fofoca sobre a Marga por aí ultimamente?

— Nada demais não. Desde que ela recuperou o dote, ela tem levado uma vida bem sossegada. — Marcos respondeu, pensativo. De repente Marcos teve um estalo e ficou com cara de quem lembrou de alguma coisa interessante. — Ah, mas tem um lance curioso. O presidente do Grupo Carvalho resolveu bancar com um milhão de reais a exposição de volta do escultor M.

Falando naquele tal de M, até Marcos, que não manjava porcaria nenhuma de arte, sabia que o sujeito era figurão no pedaço.

O cara havia surgido do nada três anos atrás como um escultor iniciante, e com uma obra chamada "Luz" que foi exibida na primeira exposição que a Teresa organizou, explodiu que nem bomba atômica da noite para o dia, virando febre no mundo, todo mundo chamando ele de promessa da escultura do século XXI.

Depois disso, o tal M evaporou do mapa por três anos redondos, deixando todo mundo achando que ele havia largado a arte de mão, e tinha até gente apostando que o cara havia morrido!

Marcos acenou com a cabeça.

— Sabia, sim, porque a Teresa está comandando toda a operação, e ela é esposa do Lorenzo, né? Então, há mais de uma semana, escuto o Lorenzo se remoendo que queria investir no negócio, mas estava morrendo de vergonha de pedir uma forcinha para conseguir uma fatia do bolo. Mas eles sempre ficam nessa choradeira de casal, então não é novidade nenhuma. O senhor não precisa se preocupar com isso. Conheço o senhor que nem a palma da minha mão, sei que o senhor ignora para exposições de arte ou qualquer parada relacionada a esse mundinho, então jamais ia encher o saco do senhor com esse tipo de conversa fiada!

Como braço direito de primeira qualidade, Marcos conhecia de cor e salteado o pouco caso que Vicente fazia de tudo que não considerava útil para os negócios.

O Grupo Almeida havia se metido em todos os ramos imagináveis ao longo dos anos, desde tecnologia de ponta até entretenimento de massa, mas nunca havia encostado o dedo no mercado artístico nem por acaso.

Então aquela exposição do mestre M com certeza seria mais uma coisa que Vicente ia ignorar...

— Estou muito interessado nessa exposição do mestre M. — Vicente cortou o raciocínio de Marcos com frieza.

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