Assim que largou o copo da água sobre a mesa, Augusto estava decidido a descobrir o que Leonor pretendia fazer para, então, pôr fim aos planos dela. No entanto, naquele instante, ouviu-se o barulho de passos no corredor.
Era Carlos, voltando para casa.
Ao notar o filho, ele se adiantou e, com o semblante sério e impenetrável, indagou:
— Não está se sentindo bem? Você não parece nada bem.
Augusto forçou um pequeno sorriso, tentando demonstrar tranquilidade.
— Não é nada. Hoje o trabalho foi pesado, acabei nem almoçando. Vou tomar um remédio e fico melhor.
Carlos balançou a cabeça em sinal de compreensão, dando um leve tapinha no ombro do filho.
— Sei que você anda ocupado, mas tem que se cuidar. E, além disso, precisa dar atenção à Leonor. Ela anda estressada, chegou até a me ligar para falar do assunto. — Ele fez uma pausa, mirando o filho nos olhos antes de continuar. — Pelo visto, a questão entre a Margarida e ela precisa mesmo ser resolvida logo. Pense bem, Leonor vai ser sua futura noiva, então, se ela tiver problemas no Grupo Almeida, o Grupo Carvalho também sofre as consequências.
Após um breve silêncio, Carlos comentou, com um suspiro:
— Por outro lado, conheço a Margarida desde que era pequena. Ela cresceu praticamente à vista da nossa família, e, quando morava conosco, eu lembro que você ajudou muito a adaptação dela. Agora, exigir que ela ceda não deve ser algo simples para você, certo?
Augusto, porém, apenas soltou uma breve risada, sem hesitar.
— Não é nada difícil. A Margarida não passa de uma pessoa que viveu de favor na nossa família. Quando eu era mais novo, estava entediado, então ofereci alguma ajuda. Mas agora sei distinguir o que é realmente importante na minha vida.
Ele endireitou os ombros, como se deixasse clara a escolha entre Margarida e Leonor.
Ao perceber a firmeza nas palavras do filho, Carlos cruzou os braços atrás das costas e, passados alguns segundos, seus lábios se curvaram em um leve sorriso.
...
No dia seguinte, ao cair da tarde, Margarida recebeu o convite para a festa de aniversário de Leonor, que aconteceria em alto-mar.
Afinal, com a futura união entre a família Carvalho e a família Almeida, apesar de Margarida ser apenas a enteada menor da família Carvalho, acabaram por vesti-la devidamente e levá-la até o barco.
No convés principal, estendia-se um longo tapete de veludo vermelho. O céu exibia uma imensidão sem limites, e o mar estava de um azul profundo, cintilando sob o sol que começava a baixar. A brisa salgada do entardecer mexia nos cabelos de quem estava ali, criando uma sensação de leveza e certa euforia.
Porém, ao percorrer o convés luxuoso, repleto de flores, laços de fita e atendentes de luvas brancas, Margarida sentiu um arrepio lhe percorrer a espinha.
Ela segurou levemente a barra do vestido, mas a impressão de um perigo iminente, embora silencioso, fazia o coração dela bater acelerado.
Parecia que algo ameaçador estava prestes a explodir ali, a qualquer instante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Amante que Virou Cunhada