— Você tem três segundos. Se não me disser onde estão as coisas, vou ordenar que destruam o Grupo Carvalho agora mesmo e garantir que Carlos e Augusto não consigam mais pisar em Santarino. — Vicente falou, com voz gelada.
Quando alguém se recusava a reconhecer os próprios erros, não adiantava puni-la diretamente. Era preciso atingir quem ela mais amava.
Vicente tinha poder suficiente para arruinar a vida de Carlos e Augusto.
Como previsto, as palavras de Vicente fizeram Luísa arregalar os olhos. A mulher que até então resistia com teimosia entrou em pânico e, antes mesmo que a contagem começasse, despejou tudo num fôlego só.
— Não, por favor! Não faça mal à família Carvalho, nem ao meu marido e enteado. Eu falo, falo tudo... — Luísa gaguejou, nervosa. — As coisas que o pai da Margarida guardava no banco... eu já vendi tudo. Usei o dinheiro para comprar uma bolsa da última coleção da marca A... O Augusto e a Leonor andam brigando muito, e ela já apareceu aqui várias vezes fazendo escândalo. Pensei que, para o bem da família e do relacionamento dele, precisava manter a Leonor feliz. Só que a Margarida levou todo o meu dinheiro como presente de casamento, então não me restou escolha a não ser mexer no cofre do banco...
Luísa não tinha outras fontes de renda mesmo. O dinheiro do seguro que conseguia antes já tinha acabado todo, e pedir uma quantia dessas ao Augusto só para comprar uma bolsa seria humilhante demais. Então sobrou apenas a opção de tirar da Margarida novamente.
Ninguém sabia melhor que Luísa sobre o dote que Margarida receberia aos vinte e um anos.
Quando tinha dinheiro sobrando, Luísa nem ligava muito para essas coisas da Margarida. Mas agora que estava apertada, passou a ver tudo aquilo como se fosse dela.
Luísa tinha certeza de que, assim como havia feito com o seguro, Margarida engolia tudo em silêncio mais uma vez.
Margarida se desvencilhou da mão de Vicente e caminhou devagar até a caixa. Com as mãos ainda sangrando, rasgou a embalagem e usou os cacos de vidro para retalhar completamente a bolsa de couro que valia mais de cem mil.
— Margarida, a bolsa já foi comprada, as coisas do seu pai já foram vendidas! — Luísa gritou, desesperada. — Por que você tem que estragar tudo? Assim você perde o que sobrou!
— Prefiro perder tudo do que deixar você usar o seguro do meu pai para bajular os Carvalho e ainda por cima vender meu dote para agradar à Leonor! — Margarida tremia da cabeça aos pés, cravando os olhos em Luísa. — Como você consegue fazer uma coisa dessas? Como consegue ser tão sem vergonha, uma vez atrás da outra? O que meu pai me deixou eram relíquias da família Cardoso, passadas de geração em geração, e você vendeu tudo assim, do nada, para comprar presente para a futura nora? Luísa, depois de fazer uma coisa dessas, você não tem medo de que os antepassados da família Cardoso saiam dos túmulos? Não tem medo de que meu pai volte do além para se vingar?
Luísa deu um pulo e se encolheu toda.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Amante que Virou Cunhada