O clima na sala de reuniões ficou pesado que nem um cemitério, com aquela tensão gelada que dava para sentir na pele.
Marcos e Lorenzo ficaram que nem duas estátuas, completamente em choque com o que acabaram de escutar, porque como diabos podia existir no mundo uma mulher escrota que nem a Luísa?
Eles pensavam que ela só era ruim com Margarida, mas descobriram que a coisa era muito pior. Ela estava literalmente destruindo a vida da própria filha de propósito!
Vicente saiu da sala com uma expressão que fazia qualquer um se benzer, as linhas duras do rosto carregadas de uma sombra pesada, mas sem falar uma palavra sequer enquanto caminhava com passos largos e decididos.
Teresa correu atrás dele gritando:
— Para onde você vai? Não vai mandar gente procurar a Margarida?
— Vou eu mesmo. — Ele respondeu seco, com uma raiva assassina na voz que fez todo mundo gelar. — Vou direto na família Carvalho.
— Família Carvalho! Ah, claro! — Teresa se deu um tapa na testa, percebendo como tinha sido burra de pensar em procurar no banco e nos lugares habituais da Margarida em vez de ir direto na fonte do problema.
Se Luísa estava lá mandando e desmandando como dona da casa, era óbvio que Margarida também estaria!
...
Por baixo da calmaria aparente, uma tempestade muito pior estava se formando.
Vicente pisou no acelerador com uma fúria que transformou uma viagem de quarenta minutos numa corrida insana de metade do tempo.
Quando chegou perto da mansão principal da família Carvalho, os gritos desesperados e pedidos de socorro que vinham de dentro já chegavam até a rua.
— Cadê o dote que meu pai deixou para mim!
Uma vez, no próprio aniversário, Margarida viu uma caixa de presente linda em cima da cômoda do quarto da Luísa e pensou ingenuamente que finalmente a mãe tinha lembrado dela, mas quando foi só encostar o dedo na caixa, levou um tapa na cara que deixou marca!
Luísa berrou que era um relógio caríssimo que ela tinha comprado para o Carlos, um presente especial para comemorar nove anos de casamento, e que Margarida não tinha direito de nem chegar perto.
Daquele dia em diante, Margarida desistiu de esperar qualquer migalha de afeto da Luísa, se conformando e achando que talvez conseguisse sobreviver, fingindo que estava tudo normal.
O problema é que aquela passividade toda só deu carta-branca para Luísa roubar até mesmo o pouco que restava.
— Fala onde é que estão as coisas do meu pai! Se não falar agora, eu juro que te mato! — Margarida berrou com a voz estrangulada, apertando o caco de vidro contra a pele da Luísa que nem uma possessa.
O vidro comprido brilhava frio e cortante, metade dele apertado na palma ferida de Margarida, a outra metade pronta para cortar a artéria principal da Luísa a qualquer movimento em falso.

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