Depois que se afastou de Augusto, Margarida se viu andando sozinha pelo corredor do hotel, sentindo-se puxada por uma força que ela mesma não sabia explicar, até parar em frente à porta da sala 202. No entanto, naquele instante, a coragem acabou faltando.
Por dentro, achava que deveria entrar sem pensar duas vezes. Afinal, ela era a parceira escolhida por Vicente para afastar todas as pretendentes, especialmente para lidar com Susana, aquela rosa venenosa que ameaçava tudo.
Agora, sabendo que os dois estavam juntos naquela sala, Margarida deveria seguir o plano original, entrar firme e separar os dois, mostrando a quem Vicente realmente pertencia.
Mas algo a impedia. Havia uma possibilidade real de que Vicente estivesse ali porque queria e, mesmo sempre tendo rejeitado Susana, o tempo longo que passavam juntos e o silêncio do lado de dentro faziam tudo parecer em harmonia.
Talvez Vicente tivesse mudado de ideia a respeito de Susana e passado a se interessar por ela.
Se aquele fosse o caso, mesmo que Vicente tivesse se casado com Margarida, era só um contrato, no fundo. Vicente tinha direito de mudar de escolha.
Ainda mais porque Susana tinha até a aprovação de Guilherme. Bela, elegante na sociedade, competente em casa, Susana seria uma aliada imbatível para Vicente, caso realmente tivesse decidido estar ao seu lado.
Não precisava ser nenhum gênio para perceber que, entre Susana e Margarida, Vicente preferiria provavelmente a primeira.
— Que pecado eu devo ter cometido na vida passada... — Murmurou Margarida, encostando a testa na porta da sala num desânimo profundo, enquanto enchia as bochechas de ar, quase querendo sumir dali. — Por que até o Augusto prefere outra pessoa e o Vicente também não vai me escolher? Será que sou menos do que todo mundo?
Cada vez mais pensava em fugir dali, sem coragem de encarar mais uma rejeição de frente.
De repente, porém, a porta à sua frente se abriu do nada.
Margarida, ainda apoiada, perdeu o equilíbrio e caiu direto contra um peito firme e quente.
No instante seguinte, ouviu uma risada baixa. Sentiu a vibração no peito de Vicente e, logo depois, escutou a voz grave e suave:
— O que você está fazendo aqui?
Naquele momento, ele percebeu que Augusto tinha mentido para ela, provavelmente tentando criar confusão entre ela e Vicente.
Sentindo-se ainda mais embaraçada, Margarida se virou depressa para Vicente, pedindo desculpas:
— Senhor Vicente, recebi uma informação errada! Me perdoa, prometo que nunca mais vou acreditar em qualquer coisa sem antes conferir direito!
— Não tem problema. Só que, em vez de me pedir desculpas por causa de rumores sem sentido, prefiro que peça desculpas por ficar tanto tempo parada lá fora, hesitando, ao invés de entrar direto aqui. — Disse Vicente, olhando nos olhos dela. — Se não me engano, você ficou indecisa aí fora com receio de encontrar eu e a Susana num clima muito íntimo, né?
Margarida sentiu o rosto corar ainda mais forte. Não imaginava que Vicente adivinharia exatamente o que ela pensava.
Vicente manteve o tom sério:
— Da próxima vez que desconfiar de qualquer coisa, entra para me procurar. Se tiver dúvida, vem falar comigo. Nunca vou mentir para você, nem te trair.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Amante que Virou Cunhada