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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 16

Vicente provavelmente não ficou muito satisfeito com a ideia de se casar com ela.

Ao notar o modo como Vicente olhava para ela, esse pensamento surgiu na mente de Margarida quase sem que ela percebesse.

Mas isso também era algo compreensível. Afinal, ela queria se tornar esposa de Vicente, mesmo que apenas de fachada, e isso de fato era exigir muito. Então, aquele golpe de sorte que ela pensou em usar acabou falhando.

Fingindo leveza, Margarida disse:

— Sr. Vicente, compreendo se você não quiser. Minha condição realmente não está à sua altura...

— Eu não sou o Augusto. Não carrego essas ideias ridículas e ultrapassadas de hierarquia. — Interrompeu Vicente, falando cada palavra de modo pausado. — Se prometi um favor a você, significa que te reconheço e te respeito. Não acho que te falte nada para estar ao meu lado.

Margarida ficou surpresa ao ouvir isso. Essas palavras vindo de Vicente, líder de Santarino, ela nunca imaginou o quanto tais palavras impactariam alguém que, como ela, foi tantas vezes ignorada e reprimida.

Engolindo um leve aperto no peito, ela perguntou:

— Sr. Vicente, então posso usar esse casamento por contrato para compensar o favor que você me deve?

— Não.

— O quê?

A recusa foi tão direta que Margarida acabou ficando atônita, e todo aquele amargor que lhe apertava o coração se desfez por um instante.

Quando Vicente tinha dito aquelas palavras de reconhecimento, ela chegou a supor que ele aceitasse a proposta.

Vendo a expressão dela, Vicente, com o olhar intenso, inclinou levemente a cabeça e explicou:

— Quando disse não, não quis dizer que o casamento por contrato não compensaria o favor que te devo. Eu ponderei e concluí que seu pedido realmente faz equilíbrio com a dívida que tenho para com você. Preciso de uma esposa, alguém bondosa para estar ao meu lado. Você se encaixa perfeitamente. E, depois que nos casarmos, posso afastar toda a sujeira que te perturba. Sendo assim, também sou a escolha certa para você. Mas não quero que tome essa decisão por impulso.

Em seguida, Vicente frisou cada sílaba:

...

Há três anos, quando Margarida se tornou namorada de Augusto, ele apareceu com uma desculpa que soou até razoável na época, disse que, para resolver certas burocracias do dia a dia, seria mais simples se ficasse com os documentos dela. Inocente e confiante, Margarida concordou, sem imaginar que isso lhe traria problemas mais tarde.

Naquele momento, tomada por um impulso quase irreprimível, Margarida praticamente "pediu em casamento" a Vicente. Só que, no instante em que ele comentou que iria ao cartório oficializar o casamento, ela percebeu que não tinha como fazer isso.

Afinal, sem seus documentos, não havia a menor possibilidade de registrar a união.

Mesmo que Vicente tivesse sugerido sete dias para ela pensar com calma, Margarida não se via desistindo, a não ser que, naquele período, não conseguisse recuperar seus papéis. Nesse caso, por mais que ela quisesse seguir adiante, seria obrigada a desistir.

Afinal, ela não podia envolver Vicente numa coisa tão simples quanto recuperar seus próprios documentos.

Sentindo um incômodo aperto no peito. Afinal, desde o começo, o acordo deles era puramente prático, sem compromisso de sentimentos. Ela só queria se casar com Vicente porque acreditava poder ajudá-lo a resolver um problema específico.

Todavia, se antes mesmo de eles começarem a agir em conjunto surgisse um contratempo assim, só adicionaria mais complicações para ele.

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