Depois de tanto esforço, Margarida finalmente conseguiu escapar daquele lugar proibido. Ela desejava esconder a todo custo que tinha pisado naquele quarto, mantendo esse segredo só para si. No entanto, diante das perguntas de Guilherme, hesitou. Sentia uma resistência por dentro, pois não queria mentir sobre algo tão delicado envolvendo a mãe de Vicente.
Foi no ápice daquela tensão que Vicente reapareceu, cumprindo exatamente aquilo que havia prometido. Ele estaria ali, pronto para protegê-la, impedindo qualquer um de lhe fazer mal.
Ao ver Vicente, direito e firme à sua frente, Margarida agiu por puro instinto, nem se deu conta de como seu corpo reagia antes da mente. Correu até ele.
— Senhor Vicente! — Ela falou, cheia de alívio, mas ainda cuidadosa, evitando se aproximar demais por conta da saia suja, lembrando o quanto ele era detalhista com limpeza.
Mas, sem o menor receio, Vicente segurou sua mão gelada, puxou-a para um abraço e a envolveu com aquela presença intensa, os olhos escuros reluzindo uma tempestade de emoções.
— Por que esse rosto tão pálido? Se alguém mexeu com você, por que não me chamou?
— Meu celular ficou lá embaixo... — Margarida explicou, um pouco sem jeito. — Subi correndo para trocar de roupa e nem pensei em pegar o celular.
Por isso, ao contrário do que havia acontecido no hospital antes, não conseguiu gravar nada nem flagrar Marina e os outros. Felizmente, Vicente estava ali ao seu lado de novo.
Ela olhou para ele com um sorriso, transmitindo toda a confiança que sentia.
— Senhor Vicente, está tudo certo, nem fui tão maltratada assim.
Ao presenciar o momento em que Margarida se entregava à proteção de Vicente, Augusto sentiu um incômodo profundo, como se algo lhe atravessasse o peito. Não era a primeira vez que experimentava aquele sentimento. Testemunhava, sem poder fazer nada, cada sorriso que antes era só seu se voltar agora para outro homem, enquanto ele próprio continuava preso a outra mulher, impotente até para lutar de verdade por ela.
Marina se adiantou, forçando um sorriso amargo.
— Vicente, não seria você que deveria pedir provas. Quem acusa é que precisa mostrar, não é?
— Não sabe nem o básico? — Rebateu Vicente, sem alterar o tom. — O que todo mundo viu foi que a Margarida estava do lado de fora, não dentro do quarto. Se vocês insistem que ela entrou, então mostrem algo concreto que me convença de verdade.
— Eu... Eu e o Augusto vimos a Margarida entrar naquele quarto! Isso não conta? — Leonor se apressou em declarar, achando que essa era uma prova impossível de rebater.
"Margarida, nem adianta achar que vai escapar dessa tão fácil!", pensou ela.

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