Augusto estava entre os familiares e, depois de um silêncio constrangedor, enfim falou com voz baixa:
— Senhor Guilherme, acho que a Margarida só achou o quarto bonito demais. Como ela mesma saiu depois, o senhor podia perdoar, né?
No fundo, Augusto estava confirmando o que Paula e Leonor disseram. De fato, Margarida tinha entrado no lugar proibido da família Almeida.
Diante de Augusto, Margarida ouviu aquilo e fechou os olhos num gesto irônico, sentindo um frio na espinha. Aquilo era exatamente o que já esperava.
— O senhor Augusto é bom mesmo para ajudar os outros, né! — Ela retrucou, ácida.
Estava claro que, naquele momento, ele estava do lado de Leonor e Marina para prejudicá-la. Por isso, quando viu Paula tentando obrigá-la a entrar no quarto, ficou parado, preferindo dar atenção a Leonor. Agora, vendo-se traída descaradamente, Margarida teve certeza do jogo dele.
Augusto percebeu tudo pelo olhar dela e, mesmo com as mãos crispadas, não recuou.
Marina ficou aliviada. Com Paula, Leonor e Augusto, todos acusando Margarida, olhou para ela com cara de piedade e disse:
— Margarida, você entrou lá dentro, percebeu que tinha feito besteira e saiu, mas precisa lembrar que aquele quarto era da mãe biológica do Vicente, a Sofia. Depois que ela partiu, há mais de vinte anos, só o seu sogro entrava lá. Ele fazia questão de manter tudo igual, com medo que um cheiro estranho fizesse a Sofia ir embora de vez. Por isso, até hoje, só ele limpava e cuidava de cada cantinho. Mas, quando você entrou, quebrou esse silêncio... E se a Sofia realmente foi embora por sua culpa, o que vai ser de nós?
Em seguida, Marina lançou um olhar preocupado para Guilherme, como se visse a alma de Sofia indo embora.
Aquilo acertou em cheio o lado mais sensível de Guilherme, que sempre tentou preservar aquele espaço para manter viva a presença de Sofia. Se até ela tivesse ido embora, o que sobraria para ele?
Leonor, logo ao lado, assentiu a cabeça com força, porque achava Margarida mentirosa demais para dizer a verdade.
Mas Guilherme nem olhou para as duas. Simplesmente apontou para Margarida e disparou, sério:
— Margarida, o Vicente só veio ver a família Almeida este ano duas vezes. Uma para te defender, outra para garantir o seu direito. Ele sempre foi bom com você. Se você tem um mínimo de consciência, fala a verdade agora!
Margarida mordeu os lábios, olhou para Guilherme e, por um longo momento, ficou em silêncio. Quando finalmente se preparava para responder, uma voz masculina, fria e cheia de autoridade, ecoou no salão:
— Então é assim que vocês tratam minha esposa quando eu não estou aqui?

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