Quando foi abrir a roupa para se trocar, Margarida não conseguiu evitar que o rosto ficasse vermelho de novo.
Não imaginava que Vicente levaria tão a sério aqueles "elementos de lua de mel". Não só o quarto inteiro estava todo decorado de vermelho, mas até o pijama e a lingerie seguiam essa mesma cor marcante.
Ela nem sabia se tudo aquilo tinha sido realmente escolhido por Vicente, mas preferiu cortar a linha de pensamento antes de começar a imaginar demais. Rápida, trocou de roupa, secou o cabelo e saiu do banheiro.
Bem naquela hora, ouviu batidas na porta. Correu para abrir e, assim que levantou os olhos, ficou surpresa e sem reação.
Vicente estava ali, bem na sua frente. Ele parecia ter acabado de sair do banho também e, para a surpresa dela, usava um pijama vermelho igual ao dela, claramente formando um par feito para casal.
Os botões do pijama dele não estavam totalmente fechados, deixando à mostra a clavícula bem desenhada e parte do peito, o que dava ao homem, geralmente frio e reservado, um toque irresistível e sedutor, quase como se escondesse um lado perigoso, pronto para devorar quem se aproximasse.
Pela primeira vez, Margarida não sabia para onde olhar. Lembrou das conversas com Teresa, de quando as duas comentavam preocupadas se Vicente conseguiria se controlar ao vê-la. Agora, no entanto, Margarida achava que o maior desafio era não perder o controle diante dele.
Meio constrangida, apertou a barra do pijama e, quase sem perceber, ela perguntou:
— Sr. Vicente, por que veio até aqui essa hora? Aconteceu alguma coisa?
— Só uma coisinha. — Respondeu Vicente, lançando um olhar intenso na direção das mãos de Margarida, que quase amassavam a seda do pijama de tanto nervosismo. Ele falou com um tom gentil. — Você está com fome? Vamos até a cozinha comer alguma coisa.
— Sr. Vicente, aquilo foi só uma água com mel, não foi nada. O que o senhor faz por mim é muito mais. A Laura já me contou de tudo.
Ele sempre dizia que a decoração e a organização da casa nova tinham sido coisas dos designers e dos funcionários, porque o fato era que, dessa vez, toda a preparação do quarto foi feita pelo próprio Vicente, sozinho, em segredo, igual aos anéis de casamento, que ele mesmo tinha escolhido sem ela saber.
Quando ouviu Margarida praticamente desmascarar sua "mentira", Vicente, enquanto aquecia a panela e o óleo, não segurou um sorriso discreto no canto dos lábios. Com um olhar profundo e caloroso lançado na direção dela, respondeu suavemente:
— Marga, tudo o que os outros têm, eu também quero que você tenha. Nada menos do que isso.

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