Na realidade, dessa vez, mesmo com Susana ressurgindo, nada disso devia fazer diferença.
Teresa sorriu enquanto dirigia e comentou com Margarida:
— Agora que você e o Vicente já formalizaram tudo, se essa Susana for inteligente deveria sumir de vez do mapa. Mas, se ela insistir em querer se meter, a gente se junta e acaba com ela rapidinho!
Bem ciente do próprio lugar social, Teresa sabia que topar a Leonor da família Almeida era complicado, mas enfrentar uma da família Neves como a Susana era fácil.
O comentário fez Margarida rir, sem discórdia. Mesmo que o casamento com Vicente não fosse exatamente de verdade, estando oficialmente ao lado dele, Susana era uma das poucas rivais amorosas que ela poderia derrubar sem peso na consciência.
— Tomara que a Susana tenha um pouco de juízo dessa vez e pare enquanto está a tempo. — Respondeu Margarida, com sinceridade.
Teresa não respondeu, mas ela mesma achava que esse desejo era bem otimista.
Pouco depois, Teresa estacionou o carro em frente ao Hotel Luar.
Como a mudança definitiva para a nova casa com Vicente ainda estava por vir, Margarida seguiria alguns dias hospedada ali.
As duas subiram com as malas, e, com a ajuda de Teresa, Margarida finalmente conseguiu se livrar do vestido apertado e soltou o cabelo arrumado.
Imediatamente, os fios escuros caíram como seda, escorrendo delicadamente pelos ombros suaves. Sem o peso dos enfeites e da maquiagem, o charme de Margarida só ficou mais evidente. Era uma beleza leve, pura, silenciosa como a de uma flor rara.
Diziam que tudo caía bem, do leve ao sofisticado. E, na opinião de Teresa, ninguém representava esse ditado melhor do que Margarida.
Ainda mais ao notar a silhueta bem-feita de Margarida quando já estava confortável, com o corpo à mostra, cintura marcada e até aquelas covinhas charmosas nas costas.
Teresa não perdeu a chance de brincar:
— Margarida, já te ouvi mil vezes repetir que só sente respeito pelo Vicente e zero desejo. Mas sinceramente? Se eu fosse ele, já teria tentado um pedaço desse bolo há muito tempo! Se ele nunca teve vontade, olha... você não acha que chega a ser até cruel com ele?
O que Teresa fazia era jogar o tempo em exposições de arte, só para evitar ver Lorenzo e aquele olhar duro.
Margarida soltou um suspiro e apertou a mão da amiga.
— Teresa, para com isso. O Lorenzo deve estar trabalhando mesmo. Olha pelo lado bom, pelo menos ele não está sumindo por aí para fazer o que o Augusto fazia comigo, né?
— É... Você consegue ser otimista até com o mundo caindo na sua cabeça, hein, Margarida? — Teresa terminou dando risada, o coração mais leve com o carinho da amiga.
No fim das contas, Lorenzo ocupado a trabalho era muito menos doloroso do que uma traição escondida e constante.
...
A noite passou voando com tanta conversa. E, já que em breve Margarida se mudaria para a nova casa de Vicente, Teresa decidiu ficar para dormir com ela, aproveitando esse tempinho só das duas para guardar de lembrança.

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