No quarto, Isadora estava diante do espelho e abriu levemente a gola da roupa com os dedos.
Na região do peito, havia uma marca de beijo após a outra.
As imagens da manhã surgiram em sua mente de forma incontrolável: o olhar perplexo de Otávio ao abrir a porta e sua figura partindo às pressas...
Isadora bagunçou o cabelo, irritada, e pegou o celular.
A lista de contatos do WhatsApp estava silenciosa.
A foto de perfil de Otávio era um espaço em branco cinza-escuro, sem nenhuma nova mensagem.
Ela mudou para as mensagens de texto e abriu a caixa de spam.
Havia uma mensagem não lida de vinte e três horas atrás, enviada por Bernardo.
"O que aconteceu?"
Isadora encarou aquela linha por alguns segundos, e o canto de seus lábios se ergueu em um sorriso frio.
Ontem deixou a namorada atender a ligação dela.
E agora vinha perguntar o que tinha acontecido?
Isadora jogou o celular na cama, com a tela para baixo, e quase ao mesmo tempo, o aparelho vibrou.
Ela hesitou por um instante e pegou o celular de novo.
Na tela havia um novo WhatsApp, de Otávio, com um conteúdo tão breve que beirava uma ordem:
"Hoje às dez da noite, no Liujin. Não se atrase."
Ela encarou a frase, e a autodepreciação em seu rosto aumentava.
Ir ao Liujin fazer o quê?
Transar com ele?
Uma batida na porta soou neste momento.
Isadora olhou para a porta, guardou o celular no bolso e foi abrir.
Diana estava de pé do lado de fora, seguida por duas criadas segurando bandejas.
As bandejas estavam cheias de caixas de veludo de vários tamanhos.
— Irmã Isadora — Diana exibiu um sorriso gentil. — Parabéns por entrar no Verdes Mares. Isso é uma lembrancinha minha, como presente de matrícula.
Ela virou o corpo e sinalizou, e as criadas se aproximaram imediatamente.
Em uma bandeja havia um conjunto de joias de diamantes: colar, brincos e pulseira, brilhando sobre o veludo preto; na outra, pedras preciosas de várias cores, cada uma com um corte requintado e de alto valor.
Outros criados no corredor cochichavam.
Com os olhos cheios de inveja e pena de Diana.
— A senhorita Diana é boa demais...
— É, tantas joias assim, dadas sem mais nem menos...
...
Diana parecia não ouvir aqueles comentários e continuava sorrindo com ternura: — A mãe já organizou tudo, vamos dizer para fora que você é a filha adotiva da Família Drummond. Assim você entra no Verdes Mares com um título oficial e ninguém vai dizer nada.
Isadora olhou para ela e não disse nada.
— Posso entrar e me sentar? — Diana perguntou, com um olhar que trazia a medida certa de hesitação e expectativa.
Isadora ergueu a sobrancelha e deu passagem, virando de lado: — Claro.
Diana entrou, as duas criadas colocaram as bandejas na pequena mesa redonda no centro do quarto e saíram, mas não foram longe, ficando de guarda na porta.

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