Ela se virou para Isadora, com um olhar gentil.
— Isadora, o que aconteceu com seu pescoço? Parece um pouco vermelho.
Isadora instintivamente ergueu a mão para cobrir:
— Deve ser a alergia que ainda não passou.
— Deixe isso para lá. — Helena desviou o olhar, o tom severo. — Já que você veio, ótimo, venha comigo a um lugar.
— Para onde?
— Ver a Profa. Valente. — Helena disse pausadamente. — Você atirou nela e a machucou. Pela razão e pelo bom senso, deveria pedir desculpas. Já marquei, vamos agora.
Ela falou sem dar margem para discussão.
Diana franziu a testa:
— Mãe, talvez a Profa. Valente não possa receber visitas agora. E a Isadora...
— Ela o quê? — Helena a interrompeu. — Se fez algo errado, tem que assumir. Isso é a educação mais básica. Isadora Viana, não me diga que você não tem nem esse pingo de responsabilidade?
Isadora olhou calmamente para Helena, e depois para Diana, que hesitava em falar.
Por fim, o olhar dela caiu em Lorenzo.
Lorenzo a ignorou completamente, virando-se para buscar o carro.
— Tudo bem. — Isadora disse. — Eu vou.
-
Luciana Valente morava num condomínio tranquilo de casas na zona oeste da cidade.
Ela era uma das principais dançarinas do país, e havia comprado aquela casa anos atrás, após ganhar um prêmio de apresentação.
O quintal estava cheio de bambus, calmo e elegante.
Helena tocou a campainha, e a diarista logo veio abrir. Ao ver o grupo, fez uma expressão constrangida.
— Sra. Drummond, a Profa. Valente disse que não vai receber visitas hoje.
— Eu marquei ontem. — A voz de Helena subiu de tom. — Diga à Profa. Valente que eu trouxe a Isadora para pedir desculpas a ela.
A funcionária hesitou um pouco, mas acabou se virando e entrando.
Alguns minutos depois, ela voltou, a expressão ainda mais sem graça:

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