— Por que não? — Otávio Drummond olhou para ela de cima. — Com medo de que Lorenzo descubra?
Os olhos de Isadora se arregalaram de leve, o pânico em seu olhar quase transbordando: — Não conte a ele, Sr. Otávio, por favor...
— Então vai depender do seu comportamento esta noite.
A voz de Otávio carregava um sorriso. — Se eu ficar esperando à toa, não garanto que não vou deixar escapar.
— Você está me ameaçando?
— É um aviso — Otávio a corrigiu, apertando levemente o queixo dela com os dedos. — Vá, seu querido irmão ainda está esperando.
Ele recolheu a mão e virou-se na direção do escritório, com passos calmos.
Como se a conversa de agora tivesse sido apenas um aviso comum.
Isadora ficou parada no lugar, levantou a mão lentamente, tocou o queixo que ele tinha acabado de apertar e depois tocou os lábios que ainda formigavam, o pânico em seus olhos desaparecendo.
Sua expressão voltou à habitual aparência inocente.
Ela se virou para a porta, com um sorriso fugaz nos lábios.
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Na sala de visitas, o cheiro de charuto pairava no ar.
Lorenzo estava de pé em frente à janela, de costas para a porta, o cigarro preso entre os dedos queimado até a metade.
Isadora empurrou a porta e entrou. Seus passos eram leves. Ela parou a três metros de distância dele e não disse nada.
Os dois permaneceram em silêncio.
Pouco depois, Lorenzo se virou, com seu habitual rosto frio e indiferente.
Seu olhar varreu o rosto de Isadora e, ao ver de relance o pescoço dela, seus olhos se estreitaram levemente.
Aquela marca vermelha não parecia um arranhão.
Seu olhar subiu devagar, passando pelos lábios levemente inchados dela, e por fim encontrou seus olhos.
O olhar da garota era muito calmo.
Tão calmo que chegava a ser inocente, como se não fizesse a menor ideia das marcas deixadas em seu corpo.
— Esperou muito?
Ela perguntou em voz baixa. Sua voz era suave, com a medida certa de timidez.

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