A chuva batia de forma inclinada no vidro.
Isadora largou a xícara de chá, tirou o chip do celular antigo e o colocou com cuidado no celular novo que Otávio havia lhe dado.
O som de um motor de carro veio do andar de baixo.
Ela foi até a janela e deu uma olhada.
Um carro preto entrou no pátio. Um homem de jaleco branco desceu do veículo, segurando uma maleta médica, e andou apressado em direção ao anexo.
Era o médico particular de Otávio, que veio trazer remédios para Lorenzo.
Os olhos de Isadora se moveram levemente. Ela se virou e entrou no banheiro.
Depois de tomar banho, ela pegou uma camisola de seda macia e a vestiu. O decote da camisola era um pouco baixo, revelando parte de suas clavículas delicadas e as curvas que apareciam de forma sutil.
Os olhos da garota estavam úmidos e os lábios rosados. A camisola caía solta no corpo, carregando a languidez após o banho e um toque de sedução.
Isadora curvou os lábios e desceu as escadas.
Ela não foi pelo caminho do jardim. Havia um corredor de vidro entre o prédio principal e o anexo, e o som da chuva batia no vidro acima de sua cabeça.
Isadora parou em frente à porta de Lorenzo e levantou a mão para bater.
Sons vagos vieram lá de dentro, como se alguém estivesse se levantando, com passos meio instáveis.
Cerca de meio minuto depois, a porta foi puxada por dentro, deixando apenas uma fresta.
Lorenzo apareceu atrás da porta.
Ele usava roupas de ficar em casa simples e cinza-escuras. Seu cabelo estava um pouco bagunçado, e o rosto exibia uma vermelhidão anormal.
Ele se apoiava no batente, parecendo usar isso para se manter de pé.
Ao ver Isadora, ele paralisou de forma evidente por um momento. Logo em seguida, franziu as sobrancelhas, e o olhar se encheu de escrutínio.
— O que você veio fazer aqui?
A voz estava rouca, com um tom bem anasalado.
Isadora ergueu o rosto, com um olhar puro, carregando a medida exata de preocupação: — Irmão, você está com uma cara péssima. Fiquei um pouco preocupada e vim dar uma olhada.
Lorenzo estreitou os olhos para examiná-la. O olhar escorregou do cabelo molhado dela para a camisola fina, e ele franziu a testa ainda mais: — Correndo por aí vestida desse jeito?
— Eu acabei de tomar banho, ouvi dizer que o médico veio e corri para ver. — A voz de Isadora era suave. — Irmão, me deixa entrar? Quero ver se você está bem.
— Eu estou bem — Lorenzo disse com frieza. — Volte para o seu quarto.

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